03
Nov
09

no meio do caminho havia um boteco

Não sei o que está havendo, mas a inspiração por aqui tem rendido textos não condizentes com a temática do blog (ou com a “estampa de pessoa normal” da autora). É fase. E talvez até alguém tire proveito disso…

Pra não deixar isso tudo de vez pra lá, vai aí uma foto feita neste feriado, 9 da manhã do dia 01/11 , indo para o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, onde fui levar a Jú pra conhecer o Véu da Noiva (sim, eu levo todo mundo pra conhecer o Véu da Noiva) e fazê-la ver o quanto ela faz sofrer seus alunos em suas “personal-aulas”.

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Tão sensacional o point, que tivemos que parar lá para fazer a foto. E só não paramos na volta para tomar um “remedinho” porque estava fechado.

[Atenção para a moça da foto com cara inchada de sono impagável, glamour zero... se a minha stylist vê isso, me abandona...]

Ah, sim, essa é a Ju… que num dos locais com maior número de pontos dágua do mundo (exagero) me perturbou querendo água justamente nos 20min de caminhada que não tem ponto nenhum!

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25
Out
09

onde não há querer e onde há

Escorrega sua mão por minha pele branca…
Encontra.
Vem?

Equimose: lesão fechada que resulta no extravasamento de sangue com infiltração hemorrágica nas malhas dos tecidos superficiais e profundos.

[Vejo nesta manhã meu corpo refletido no espelho.]

Tua boca,
Tão quente!
Que gosto!

Sugilações: equimoses de sucção, provocadas pela língua ou pelo vácuo causado pelo agente.

[Observo-me nua e repito esta palavra: sugilações, sugilações...]

Chupa meu seio.
Abusa.
Pede.

Estigmas ungueais: escoriações de configuração semilunar , ou lineares, resultantes da ação das unhas.

[E mesmo com tantas marcas e tanto mais a esconder nos permitimos.]

E eu me entrego
Sente?
Te dou, eu dei, gozei.

Segredo (Aurélio): 1. aquilo que não pode ser revelado, sigilo. 2. Aquilo que se oculta à vista, ao conhecimento; aquilo que não se divulga; sigilo. 3. Assunto, problema, negócio, conhecido apenas de uns poucos. 5. Aquilo que se diz no ouvido de alguém. 6. Confidência, confissão. 7. Aquilo que há de mais recôndito na pessoa humana. 8. Mistério, enigma. 9. Razão misteriosa; causa secreta.

[Não conheça arrependimento pois nada há aproveitado que já não fosse devidamente nosso.]

.

Baby, baby
I know that’s the way
Baby, baby
I know that’s the way

.

E nesse tempo certo que a gente sabe
A gente pensa saber
Fazer as coisas
Lidar com os medos
Olhar pros outros
Fingir razão.

[Não há querer, não há vontade, é simplesmente circunstância e os olhos do mundo não estão aptos à compreensão desnecessária deste que não é assunto, e nada devemos e nada temos senão este inatingível e intangível. E por causa disso eu não devo, eu não ligo, não justifico e não culpo. Eu apenas lido. E tudo o mais permanece pois assim são as coisas que devem permanecer e é assim que tudo deve permanecer, pois assim que é o que queremos. Nisto sim, há querer.]

21
Out
09

curta metragem VIII

“Abre bem. Isso. Pode ficar tranquila. Pronto, acabou”.

Ele desligou a luz azul e se aproximou com um frasco e um pedaço de algodão. “Feche os olhos que eu vou limpar seu rosto.”  Ele começou a passar o algodão molhado lentamente por suas pálpebras, suas têmporas, removendo resquícios do colírio de contraste. Ela sentia sua respiração bem próxima ao seu rosto, e aquelas mãos tão grandes e tão leves e com um cheiro tão bom, e a penumbra do consultório…

“Pronto. Agora está tudo bem, mas espere mais uns dois dias para voltar a usar a lente de contato. Qualquer problema você sabe que é só ligar.”

Ela saiu do consultório atordoada, tonta, excitada, nada disso… impossível descrever. A rua das seis da tarde era uma miscelânea de imagens turvas. Parou. Respirou fundo. Fechou os olhos. Ah, o cheiro daquelas mãos…

15
Out
09

ana e a outra

A Ana nunca tinha se deparado com uma situação daquelas.

A atendente do laboratório, onde Ana todos os dias vai levar as lâminas dos pacientes para exame, dispensa a ela uns elogios estranhos, que até poderiam ser normais se fossem amigas próximas. Mas não são amigas. Nem próximas.

A Ana não se constrange porque sabe que, se há algum problema, o problema não é dela. Então agradece, com sorriso cordial.

Por exemplo, ela diz: “Ana, você tá linda com esse cabelo cortado e preso pro lado.” O que, para Ana, é bem diferente de dizer: “Ana, seu cabelo está lindo cortado e preso pro lado”.

Concorda com a Ana?

12
Out
09

quer fazer seu filho feliz? tenha uma kombi!

Nos anos 80 “arranjaram” minha mãe para um emprego (sim, exatamente isso, longa história) onde ela ganhou, por 10 meses, o maior salário da vida dela. Em épocas de vacas magras, cada centavo foi destinado aos alicerces e paredes da nossa casa em construção. As únicas exceções foram cinco batas de bordado de crivo, uma de cada cor, que ela comprou de uma só vez – coisa completamente incompatível com sua personalidade (ela culpa a homeopatia unicista), o carésimo salão de beleza da Barbie (pra mim, no natal) e uma Kombi. Sim, um belo dia ela chegou em casa com uma Kombi. Daquelas antigas, de dois vidros, bicolores, azulão e branco, placa AP 1364.

Seus pais terem uma Kombi durante a sua infância é coisa de sonho. Pode levar o cachorro pra praia? Pode. Pode levar o cachorro pra fazenda? Pode. Pode levar bicicleta? Pode. O salão de beleza da Barbie? Pode. Os primos todos? Pode. O cachorro, a bicicleta, o salão de beleza da Barbie, e os primos todos? Claro que pode!

[nascia aqui a minha obsessão por carros enormes que podem levar tudo]

Ficamos com a Kombi uns dois anos, duas mudanças, inclusive para a casa nova, muitos passeios, muitas viagens com todo mundo junto, até que minha mãe engravidou e eles acharam que barriga e Kombi não combinavam. Então a Kombi foi embora.

***

Meu tio irmão do meu pai coleciona carros antigos. Quase 20 anos depois, um dia ele liga aqui pra casa, todo felizão, querendo falar com a minha mãe. Elen, comprei tua Kombi! Fui ver na documentação e reconheci sua assinatura num recibo de troca de motor! Engraçado isso, né? A Kombi tava lá, bem inteirinha ainda, não tanto quanto sua outra Kombi verde e branca, do mesmo modelo, linda, completa, tudo original, xodó, campeã de várias exposições, mas ainda fez história…

Um dia a Kombi verde e branca saiu na capa do caderno Carro e etc., do jornal O Globo e uma griffe famosa entrou em contato com meu tio querendo alugá-la para fazer as fotos de um catálogo de verão em Angra. Obviamente ele não iria alugar a preciosidade que não pode enconstar o pneuzinho na areia. Então mandou a minha Kombi azul, que nas fotos do catálogo, que ainda devo ter em algum lugar,  não fez nem um pouco feio. Um tempo depois, ela foi novamente vendida, deixando lembranças boas e uma história boba pra ser contada num blog no dia das crianças.

04
Out
09

Ana Júlia

Ele realmente é muito lindo com aquele olhar de James Dean, dizia a minha mãe sobre o homem mais bonito que eu já namorei.

Rafael foi um presente que o verão de 2000 me entregou em pleno carnaval com um beijo desconcertante na praia da Armação, em Búzios. Seus olhos tinham a cor daquelas águas, algo entre o verde e o azul e o resto todo era perfeito como podem ser os meninos loiros e queimados de sol aos 18 anos.

Quatro abissais anos entre os meus 22 de recém formada e seus 18 de menino inconsequente, além de diversas outras incompatibilidades, não me impediram de me deixar ouvir você é a mulher da minha vida e rir todas as vezes em que ele dizia isso. Mais ainda quando ele dizia à minha mãe: tia ela é a mulher da minha vida. De fato, eu nunca acreditei, pois, de fato, nunca estive apaixonada por ele. Eu só me perdia naqueles olhos e me deixava ser abusada em cada canto, como se estivesse de férias da vida. E ele realmente era um problema: jogador de futebol do time arquiinimigo (e o fato de ser do time arquiinimigo era o menor dos problemas), talento descoberto por um dos olheiros mais famosos do Rio de Janeiro, conheceu as dores e as delícias de uma fama em potencial: dinheiro, mulheres e drogas,  ainda que administrasse isso com alguma propriedade.

Seu futuro quase certo era  jogar no Gênova, e esta negociação toda se deu na época em que estávamos juntos. Seu empresário, Marco, mesmo tendo inserido o menino neste paradoxo mundo de glamour, sabia que ele era seu melhor produto, e me viu como aliada nesta venda de Rafael para a Itália. Eu, além de sossegar o moleque, topara ir junto quando ele fosse vendido.

O que fez a coisa todo desandar foi a negativa do pai de Rafael em assinar seu contrato – no futebol de juniores existe uma coisa chamada gato (google it pra quem não sabe)  e como ele seria vendido como se fosse menor de idade, era necessária sua permissão. O pai achava aquilo tudo um absurdo e queria o filho longe dos gramados. Rafael se desencantou e com o término de seu contrato no Rio, acabou voltando para a chácara dos pais, numa cidade do interior do Estado.

Um dia eu telefonei e ele tinha ido jogar bola com os amigos de infância. Nunca mais retornou e fiquei anos sem saber dele. O orkut me fez localizar Marco em 2005 e ele me contou que Rafael tinha ido naquele mesmo ano para a Rússia. Perdera as melhores oportunidades nos times italianos. Sabe como ele era, aquele menino se perdia por causa de mulher. Não soube aproveitar seu talento. Ficou quatro meses na Rússia, ainda tinha chances de ir para a Inglaterra, ou mesmo pra Itália, mas voltou por conta de uma namorada que dizia ter engravidado. Nem sei se foi verdade. Nunca mais soube dele. E eu também não.

Eu costumo brincar que ele ainda é meu namorado, afinal, nunca terminamos, estamos apenas há uns 9 anos sem nos falar. E por que eu resolvi contar esta história toda aqui? Ah sim, ontem assisti a Giant, ou “Assim caminha a humanidade” (quem são essas pessoas que traduzem os títulos dos filmes, hein?), entendi o que a minha mãe dizia sobre James Dean e seu olhar, e me lembrei dessa passagem da minha vida da qual me lembro como se fosse o filme da vida de outra pessoa. E fui dormir nostálgica dessas coisas boas que acontecem nos verões só para deixar os dias da gente mais coloridos.

.

Dois detalhes:

1) Eu não conseguia dar um título a este poste. Escolhi “Ana Júlia” pois foi a “nossa música”.

2) Aos trinta e alguns eu ainda não tinha assistido a nenhum filme com James Dean e achei Giant um puta filme.

29
Set
09

mi(k)ro diálogo pretensamente poético

- beijo na tua boca

- na tua

- tua sou

- nua?

- toda

.

Para Miro, que sabe bem qual foi a fonte de inspiração pra esta brincadeira.

23
Set
09

@brommelia

No domingo anterior ao meu chá de sumiço twítico, eu encontrei com Carlo, meu amigo italiano. Carlo é psiquiatra e mora em Araras, um recanto quase intocado de Petrópolis, numa casinha linda, isolado do mundo, escolha que fez quando sua mulher, há 4 anos, se foi sem dizer ciao, levada por um ataque cardíaco fulminante. Quando o domingo promete ser agradável, Carlo me convida para passar o dia com ele, o que significa, muita conversa, muito vinho e muita comida, que ele faz questão de preparar para mim.

Carlo me recebeu com seu cumprimento típico: assim que desci do carro, segurou-me pelos braços, fincando os dedos nos meus tríceps e me beijando as bochechas com estalos. Bella… Me levou à varanda, onde me serviu uma taça de um vinho divino (e provavelmente muito caro) e sentou-se ao meu lado para as perguntas de sempre: a vida, a família, o trabalho, aquele sujeito de quem você acha que gosta… é claro que minhas explicações, por mais que Carlo se mostre interessado na minha vida, e algumas vezes em demasia, nunca duram mais de quarenta minutos. Como todo italiano, ele é o centro das atenções e, é fato, eu me encontro com ele muito mais para ouvir do que para ser ouvida, ainda que muito mais para ser bajulada do que para bajular. Carlo e eu temos um equilíbrio incomum, resumido em: ele cozinha, eu como, ele fala, eu escuto, eu viajo, ele contempla.

Carlo começa como eu, pela vida, pelos filhos adolescentes do primeiro casamento que moram com a mãe na Itália, fala sobre medicina, psicoses, psicopatias, drogas novas, drogas antigas, e logo muda o discurso para Dante Alighieri, Michelangelo e óperas, todas as óperas e os personagens das óperas e suas psiques. Eu olho para ele fascinada. Nem sempre acompanho seu raciocínio, às vezes me perco naquilo de tão especial que aquele homem trouxe para minha vida – empatia. Com Carlo, descobri o que significava empatia.

Bella, você fica muito mais bonita com esse cabelo solto e todo enrolado. Mas Carlo, esse cabelo não combina com a minha profissão! Mas como não?

Com a primeira garrafa de vinho quase ao final, ele vem da cozinha com meu antepasto preferido, filetes de abobrinha refogados em alho, um pão meio morno, azeite, um moedor de sal e um de pimenta. Delírio. Derramo o azeite no prato, ponho sal, passo o pedaço de pão e o levo à boca, lambendo o dedo anular. Você come como se estivesse fazendo amor. Você nunca fez amor comigo, Carlo, eu digo de boca cheia. Ah, bambina, como você é má. E caímos na risada.

Mais vinho, e carpaccio. Mais vinho, e a pasta, pesto, pignoli. Ele fala, eu escuto. Eu viajo, ele contempla. Mais vinho. Um abacaxi cor de rosa doce de sobremesa, e eu caio no sono na rede da varanda. Acordo uma hora e meia depois, já escureceu, o sol já se foi nos fazendo lembrar que ainda é inverno. Carlo lê com a sala escura e uma luminária em cima do livro. Você está bem, bella? Sente-se aí que já faço um café para você. Vamos ver um filme? Não querido, já está tarde, viajo cedo amanhã, acho melhor ir para casa. Va bene, mas pelo menos um café. Claro, querido, sem um café eu não chego nem na porta!

Carlo me leva até a cozinha. Prepara dois expressos, e mais dois, que nunca bebemos uma xícara só. Bella, promete que deixa esse cabelo assim, como está? Claro, querido, eu minto. Ele sabe. Carlo sabe de tudo.

Ele se despede de mim da mesma forma que me cumprimentou, mas com menos entusiasmo. Ciao, bello, eu digo.

E eu volto para casa, naquela estradinha escura sinuosa de Araras, pensando em algumas coisas que sei sobre Carlo. Carlo não tem orkut, nem twitter. Só se comunica via internet com os filhos, pelo skipe. Carlo não tem vida virtual, nunca teve (embora eu saiba que ele lê este blog, e acredito mesmo que seja apenas este blog). Seu notebook vive desligado e raramente sai de dentro de seu carro simplesmente porque é esquecido por lá. Carlo só seduz com olho no olho, só tem amigos de longa data, de quem conhece a voz e as manias. Quando está só em casa, lê, vê filmes, recebe os amigos, dorme. Faz nada. Contempla.

Neste dia eu decidi dar sumiço na minha conta do twitter e sua verborragia. Eu não preciso me comunicar tanto. Eu não preciso dar notícia. Eu não sinto a menor necessidade de espalhar meu mau humor, ou minha alegria, ou meu bad hair day, ou desgastar minha inteligência em aforismos  autoafirmativos ou em tentativas humorísticas de 140 caracteres. Eu sinceramente não me sinto na obrigação de dar minha opinião sobre tudo. E menos ainda de ler a opinião alheia sobre tudo.

PS: a conta só foi mantida por um resto de apego ao nome @brommelia, e por alguns interesses específicos, a maioria profissionais.

16
Set
09

anacrônica ansiedade

Esfregava as mãos vigorosamente sobre a calça jeans numa tentativa inútil de amenizar o frio úmido daquela varanda do bar. Falava elétrica, mulher de  idéias. Segurava o cigarro do maço que seria abandonado quase cheio sobre a mesa no final da noite, mas a cerveja era bebida lentamente. Fazia de tudo para esconder o nervosismo do tempo que se esgotava desde que recebeu uma ligação do banco de sêmen. Dois dias era o que tinha para decidir engravidar, manter congelado o sêmen do marido morto por mais um ano, ou descartá-lo.

Não fumava mas não se importava com o cigarro da amiga. Gostava mesmo era do chopp dose dupla das terças feiras. O cachorro enroscava-se aos seus pés, entediado com o programa noturno. Era a mais alegre dali, piadista, irônica. Naquela noite, era disfarce. O bichinho olhando para ela com as pálpebras caídas a fazia lembrar que dali a dois dias  encontraria o ex marido, que viria buscá-lo.

Nem gostava tanto assim de beber. Preferia a convivência, as luzes da noite. Ora falava muito, ora nada falava. Olhava para as unhas, curtas maltratadas e sentia-se satisfeita por ter passado uma semana tão ocupada. Em cabeça ocupada não há espaço para idéias más. Só que seu coração batia acelerado, desta vez de tristeza. Eram apenas dois dias e iria encontrá-lo. Dizer que sabia a verdade? Não sabia o que fazer.

Voz baixa, mãos grandes. Um chá gelado, por favor. Era a mais nova da mesa. Ainda pensava se valeria a pena lutar pela renovação de seu contrato ou não: era o preço por uma experiência, mas não lhe enchia os olhos. Queria ir além. Mal sabia que dois dias depois uma vida estaria dentro dela e a sua própria nunca mais seria a mesma.

Para ela, nada gelado. Nada com álcool. O pastel daqui é bom? Sentia muito frio. Se vestia com o bom e o melhor, sempre o mesmo perfume, o cabelo curto era moderno. Tinha um bom emprego e no geral estava feliz. Bem, isso se não fosse o senhorio pedir-lhe o apartamento que acabara de reformar. Faltavam dois dias para sair e ainda não tinha arranjado outro.

Bebia como toda mulher do interior de Minas. Mas só bebia quando o marido vinha buscá-la, pois tinha total e completo senso de responsabilidade em relação a beber e dirigir. Era uma noite dessas. Sempre deslumbrante em sua beleza singela. Mas encimando o sorriso, um olhar quase desesperado. Em dois dias iria rever a família, e junto, as cobranças por um casamento de 12 anos sem filhos.

Era atenta e mal mostrava os dentes. Porém simpática. Rápida, limpa, inteligente. Com alguns até desenvolvia uma conversa mais amigável. Naquele dia pôde parar e observar aquela mesa de mulheres falando alto, muito alto, rindo. Alguma confraternização? Não se deu ao luxo de especular mais. O cliente da mesa ao lado já a chamava. Dispensou-lhe a atenção de sempre. Dois dias e pediria demissão pois, finalmente, conseguira montar o seu salão de beleza.

11
Set
09

Diga-me com quem andas…

Ele disse: pode?

Ela disse: pode.

Maria, em outros tons, no MiniContos Perversos.