07
jan
10

xau

Agora eu estou aqui: BLOG DA MARIA

Não levei tudo, ainda tem muita coisa que vai ficar aqui.

31
dez
09

Black-out – feliz ano novo

Chuva incessante durante toda a tarde do dia 31 de dezembro. Em Petrópolis é assim mesmo, nunca se sabe quando virão cheias e desabamentos. Arriscado sair de casa. Não há energia, não há internet, não há para onde se ir, apenas duas garrafas de champanhe na geladeira, o barulho da chuva caindo, eu e ela. Quem sabe não pode ser bom?

Dá uma chance.

menina,
diz pra mim, tem coisa melhor do que
ficar
assim, eu, você
a chuva lá fora…
adormece, vem
aproveita essa noite
fora do ar
em órbita aqui
comigo

23
dez
09

feliz natal

Sabe aquela garrafa de sidra que veio na cesta de Natal? E a lata de pêssego em calda? Bata meia lata do pêssego com um pouco de calda e um copo de guaraná. Complete com a sidra ou mais guaraná a gosto. Fica bom pra caramba. Mas eu prefiro Jack Daniels.

Feliz Natal!

16
dez
09

o nosso “fim”

Hoje eu me lembrei do dia em que terminei com você. Itaipava estava envolta num vapor resultante de uma chuva que mal caíra no asfalto quente de fevereiro. Eu dirigia sem rumo, já não sabendo muito o que fazer quando te vi no trânsito em sentido contrário. Fizemos o retorno e paramos debaixo daquela árvore grande do horto. E as lágrimas já tinham caído todas, e todas as possibilidades eram impossíveis, e todo o sonho nunca tivera sido, na verdade, sonhado, e a gente estava cansado de saber de tudo aquilo e cansado de tudo aquilo.

Você me entregou um galhinho de trigo seco. Disse que aquilo lembrava a sua infância ou coisa parecida, não me lembro. Mas guardo o galhinho até hoje, o que é estranho, pois não sou dada a guardar lembranças materiais. Também lembro exatamente o que eu senti naquele dia, alguma coisa misturada de dor no peito, vontade de vomitar e sensação de queda. Era o medo de como ia ser a vida dali pra frente, embora já soubesse que essas coisas são sempre assim e sempre passam.

É, eu acho que está na hora de parar de escrever sobre você neste blog… até sobre o dia em que eu terminei com você eu estou escrevendo… só espero que isto não seja falta de assunto.

Hoje está chovendo aqui, sobre o asfalto quente de dezembro. Mas diferente daquele dia, a chuva continua a cair e, pelo que parece, ainda vai cair por um bom tempo.

10
dez
09

curta metragem IX

Uma palavra para definir o sexo que faziam era quente. Era sempre aquela coisa de respiração compassada, olhos nos olhos, bocas próximas. Um dia ela estranhou quando ele, com uma mão em seu quadril, procurava por outra coisa com a outra mão. Por um segundo se irritou quando viu que ele tinha um celular na mão, a pensar que ele poderia atendê-lo ou ler alguma mensagem… não era nada disso.

- Posso filmar você?

- …

- Deixa, vai?

Por mais outro segundo sentiu vaidade, mais outro, o desejo de se exibir, mais outro, a lucidez da velocidade com que essas coisas se espalham por aí…

- Te meto porrada se você ligar esta câmera.

Hoje ela pensa que talvez pudesse ter deixado. Hoje ela quase tem certeza de que ele é um cara confiável. Hoje ela ainda tem dúvidas se ele já não estava com a câmera ligada nos poucos segundos em que vacilava entre a vaidade e a lucidez. Pra sempre ela ri lembrando do episódio.

05
dez
09

O que poderia ter acontecido com a minha mãe?

Na época em que minha mãe era diretora do segundo seguimento do fundamental, cada dia era uma história diferente. O colégio funciona no mesmo prédio da Universidade Católica e a escada dos alunos é uma escada aberta, em que do último andar consegue-se atirar coisas no primeiro (embora não seja para isso que ela é aberta). Um dia dois “meliantes” resolveram derramar leite do último andar em quem passava lá em baixo. Obviamente, não demorou muito a irem parar na sala dela. Ela deixou os moleques por lá, “cozinhando” a ansiedade por um tempo, e, enquanto isso, pediu ao estagiário para comprar uma caixa de leite integral no mercado próximo, já adivinhando qual seria a justificativa dos moleques.
- Então, vocês podem me explicar como o leite caiu lá de cima?
- É, professora, caiu por acidente. A gente estava bebendo o leite.
- Bebendo o leite? Trouxeram uma caixa de um litro de leite para beber no colégio?
- É professora, isso mesmo.
- Então vocês gostam de leite?
- É, a gente gosta…
- Ah que bom então. Já que vocês adoram leite, eu até arrumei outra caixa para vocês beberem.

Ela encheu dois copos e ofereceu aos meninos:
- Bebam tudo.
- É que a gente já tomou leite hoje, “fessora”.
- Bebam.

E eles beberam. E ela encheu mais dois copos dizendo:
- Ah, vocês realmente gostam de leite. Tomem mais um copo então.

Os dois beberam o segundo copo. E sairam dali correndo para vomitar no banheiro. E da escada, com certeza, eles nunca mais jogaram nada.

Este texto vai em homenagem à professora Maria Denise Bandeira, de Viamão, RS, que obrigou um aluno a pintar a parede do colégio que ele mesmo tinha pichado (ou sujado, ou decorado, seja o que for), e que teve sua autoridade estralhaçada pelo Ministério Público, que entendeu que ela tinha cometido crime previsto no ECA, algo como submeter menor a constrangimento. Ela não chegou a responder ao processo pois foi favorecida pela transação penal, e vai apenas pagar um valor a título de acordo. E agora, que exemplo esta criança terá?

É por estas e outras que este Brasil está como está. Escrever na parede da escola pode. Pintar a parede que sujou, não pode.

30
nov
09

dezoito graus

Se um dia me restar apenas um naco de memória eu guardarei aquela tarde de chuva…

Dezoito graus.
- Você prefere
As brancas? As pretas?
- Pule as brancas.
- Olha o buraco!
Puxava meu braço, camiseta de colégio colada
Molhada, pele
Arrepiada.
- Me beija?
- Rouba um beijo!

Passeamos pelo tempo
A camiseta secou
Ficaram por lá as brancas
e as pretas
Os buracos
Ainda faz dezoito graus nas tardes de chuva
Você foi
Eu fiquei
Você voltou
Eu estou
Mas,
Posso dizer?
Sabia que eu
ainda…
- Te amo?

26
nov
09

Cinzel

O artista fita o pedaço de granito bruto, e o acaricia. Sente sua textura. Algo em sua alma lhe fala, silenciosamente, fazendo-o perceber a forma que na peça se expressará. Ele lança mão de suas ferramentas de trabalho, não sem antes sentir novamente a textura da peça, lembrando quase que um cetim.

Ele não trabalha freneticamente, como que ávido a exprimir a forma, antes que ela se vá de seus pensamentos. Sente que aquela forma é eterna, e que pode dispor de todo o tempo para realizá-la. Trabalha calmamente, como se o tempo não existisse, esmerando-se naturalmente, coma certeza de sua realização.

A peça, lentamente toma forma, e ele, mesmo ainda sem pensar, num processo puramente inconsciente, continua a lhe dar forma, desta vez começando o prazer da visão que está por se materializar. Ele para, fita novamente a peça, e a trata com carinho. Não trabalha com a força das mãos, mas com a delicadeza do próprio espírito, que sente aliando-se ao da própria peça, que lentamente toma forma. A lentidão colabora, fazendo que ansiedade se transforme em prazer, prazer pela demora de sua realização, valorizando-a mais ainda.

Ele já sabe que é um rosto de mulher, ainda com ar de menina, e admira aquela testa bem delineada, e ao mesmo tempo iluminada, como que expressando a inteligência que ali esta instalada. Desce pelo rosto, delineia a boca, entreaberta, iniciando um largo sorriso. Dá forma aos cabelos, caindo pelos ombros, torcidos, como que uma escada caracol, lançada por Rapunzel, pedindo que seu amor a escale para alcançá-la.

Pronta a obra, ele sorri, como que respondendo àquele sorriso, jamais visto por ele. Ele se questiona se é uma escultura ou uma tatuagem que ele, inconscientemente, marcou em sua alma. Ainda tem dúvidas, mas vendo-a ao longo do tempo, que parece que não mais passa, tem a certeza que esculpiu uma obra até então não realizada. Aquele rosto mostra um semblante ainda não visto. Um sorriso que marca sem dor.

Ele, ainda aturdido pela imagem , lembra de antigos ensinamentos dos sábios, que diziam que tudo existe porque um dia não existiu, e que o que existe é a certeza que um dia não existirá. Até então acreditava naquilo com toda a sua paixão. Mas depois daquele sorriso, ele tem certeza que está diante de algo que passou a existir apenas para não se acabar. O sorriso da Maria Amélia.

Esse texto foi escrito pra mim em 27/09/2007, por Carlos Oliveira, autor do blog Coisas Pessoais, e publicado no antigo blog dele, quando a gente ainda fazia parte do falecido globonliners.  Eu tenho um carinho imenso pelo texto e acho que ele merece ser publicado aqui. O Carlos é um devasso machista, já aviso àqueles que porventura venham a visitar seu blog, mas é tudo carapaça pra esconder um romântico inveterado.

Carlos, obrigada sempre sempre por este “presente”. E carinho imenso é o c%#@lho, isso aqui é de molhar a calcinha!

22
nov
09

feliz aniversário

- Feliz aniversário.

- Obrigado. Obrigado pela lembrança. Como vão as coisas por aí?

- Tudo bem. Frio, muito frio. Ainda não nevou, na verdade está chovendo, e anoitece cedo. Você sabe que esse tempo escuro é desanimador para mim.

- Não combina com você. E ele, está por aí?

- Está sim, tomando banho.

- Você é muito piranha…

- Não sou piranha. É seu aniversário, você é querido, eu não ia deixar de te ligar só porque estou namorando outra pessoa.

- Eu estou brincando. Estava velejando, tá um sol absurdo por aqui, vento perfeito. Agora estou na piscina, tomando cerveja.

- Jeito bom de comemorar o aniversário.

- Jeito melhor era em outras épocas. A gente já tinha saído daqui há muito tempo pra alguma cama e transava a tarde inteira… lembra?

- A gente realmente transava muito.

- E você gostava?

- É claro que eu gostava.

- E ele, te come bem?

- Não é da sua conta.

- Não come. Se comesse, você teria resposta melhor.

- Não é da sua conta.

- Eu te comia bem. E você gostava. Gostava muito, dava pra sentir. Isso você não pode negar. Nossa… como eu te comia, como você combinava com esse calor, queimada de sol, cabelo molhado. Mas você resolveu ir embora, falar outra língua, dar pra outro cara… e daqui a impressão que eu tenho é essa… ele não te come como eu te comia. Tá na tua voz, eu sinto.

- …

- Então?

- Então o que? Eu te liguei para dar os parabéns e você afirma que meu namorado não  me come como eu gosto. Qualquer coisa que eu diga sobre isso, o que eu me recuso a fazer, você não vai levar em consideração. Então, isso é “então”: felicidades pelo aniversário.

- Obrigado, de verdade. Desculpe, eu não tenho o direito de me meter na sua vida. Mas eu sei que eu te comia muito melhor do que ele. E você também sabe.

19
nov
09

publicação não autorizada

Tem coisas que escrevo que destoam deste blog. Mas elas se encaixam perfeitamente aqui.




Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.