14
Jan
08

Eles e eu…

Sábado eu encarei um camarão. Vou ser bem explícita: UM CAMARÃO. Unzinho só. Empanado à moda tempurá (Eu juro que se soubesse que na porção viriam dois camarões eu mandaria trocar por acelga). Mas insistiram tanto que eu comi o bichinho. Assim… não morri por isso, nem tive nenhuma reação vergonhosa.

 

A tal da lula à moda espetinho de japonês eu até já me atrevi a pedir (olha que coragem!). Isso porque, quando eu experimentei, achei que o gosto que predominava ali era do molho, que é igual pra tudo e deixa tudo com o mesmo gosto, e achei divertido mastigar aquela borrachinha. Mas quando o gosto “marítimo” está muito forte eu passo o espetinho a diante.

 

A conclusão dessas ousadias é que coisas que vêm do mar continuam não sendo a minha praia. E olha… não gostar de peixes e afins é um verdadeiro sofrimento!

 

Por mais democrática que seja a sua turma, se a galera vai almoçar na praia, quando você pede um filé com fritas, ou uma salada com frango, todos, sem exceção, lançam sobre você um olhar de reprovação que dá vontade de virar siri e se enterrar na areia. Uma vez quase apanhei num restaurantes de paellas. É muito triste pertencer ao time que acha que peixes, crustáceos e moluscos são amigos e não comida!

 

A bacalhoada em família então é o maior dos suplícios. Primeiro, quando do preparo do prato, eu caço o que fazer do lado de fora e deixo meu quarto trancado para que nem vestígio daquele cheiro tenebroso adentre ao meu recanto. À mesa, o truque de sentar-se bem longe da travessa. E por fim aturar, depois de 30 anos de todo mundo sabendo que você de-tes-ta a “iguaria”, o célebre “a Amélia não come, né?”. Hoje, esse ritual todo só se cumpre em datas onde não tem como você escapar do programa família. Em bacalhoadas ordinárias eu caio fora de casa e só volto depois da louça lavada.

 

E em almoços de cerimônia, do tipo, casa do chefe, casa da sogra, casa de semi-desconhecidos, não há outra alternativa: é alegar a alergia, se virar com a salada e se fartar na sobremesa! Todo mundo ainda fica com pena de você.

 

Na verdade verdadeira eu gostaria muito de gostar de peixe. Sério. Mas eu tento e não consigo. Se isso já é difícil para quem tem amigos que gostam, é mais difícil ainda para quem gosta de cozinhar… sempre acho que as receitas mais interessantes são as preparadas com peixes e seus amiguinhos do mar, aquelas coisas mediterrâneas lindas. Bacalhau no way, no chance. Mas as outras coisas não tenho problemas em relação ao manuseio e preparo. Só que cozinhar e não comer, não tem graça nenhuma, né?

 


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