Arquivo para Março, 2008

27
Mar
08

Nada é totalmente certo, nem totalmente errado…

… não que sair na chuva seja errado, mas uma experiência essa semana serviu para muitas reflexões.

Nesta terra chove todos os dias. É algo realmente irritante, e olha que venho de Petrópolis, onde chove pra burro, mas aqui a chuva é concentrada, desce toda de uma vez no fim da tarde, dura umas duas horas. Pega a galera saindo do trabalho, indo e vindo da faculdade, e me pega, geralmente, indo pro trabalho.

Na terça, como minha aula é mais tarde, aproveitei para sair pra correr justo na hora da “mardita”. Quando pus o pé pra fora, chuva! Voltei, esperei um 5 minutos, pois tava com cara de que não ia vingar. Deu uma trégua, resolvi sair. Quando comecei a dar a volta na cidade universitária, o mundo desabou em cima de mim. E eu continuei, afinal, não tinha muito jeito mesmo, não tinha nem pra onde ir, nem adiantava sair correndo, porque correndo eu já estava. E é melhor ficar molhada correndo do que parada sentindo frio.

Terminei o percurso, voltei pra casa, chuva mandando ver. Alma lavada, sim. Mas o corpo, daquele jeito. Cheguei, tirei a roupa molhada, liguei o chuveiro, poff! O chuveiro queimou! Olha que sorte de ter saído na chuva! Nem senti o banho frio. Se eu tivesse feito doce por uma “simples chuvinha”, ia ter que encarar o banho no sofrimento.

Nada é por acaso…

26
Mar
08

Santa paciência!

O chorinho que saia do sax na hora em que eu temperava o meu pure de baroa estava mais que perfeito. Mas essa mistura de “Cordel do Fogo Encantado” com “Enya” (alguém se lembra dessa coisa estranha???) ninguém me-re-ce!!!

25
Mar
08

Olha, é que não deu…

É desgastante. É cansativo. E no fundo, é necessário? É mesmo necessário darmos desculpas o tempo todo para algo que fazemos, deixamos de fazer ou para alguma decisão que tomamos? Por que o ser humano se justifica aos outros o tempo todo?

Falava sobre isso com uma amiga outra noite. Disse a ela: “Não sei o que vou dizer”. E ela me respondeu: “Eu não vou dizer nada. Não há razão para me justificar.” No dia seguinte abri o blog dela e estava lá um ‘poste’ cheio de justificativas. Para outra coisa, diga-se. Aí concluí que acabamos, conscientemente ou não, fazendo isso. Mas é tão chato. Tãããão absurdamente chato! E por quantas vezes falamos absurdas mentiras!

“Eu não tô a fim de você.” “Eu não quero ir.” “Eu me decidi pelo azul.” “Vou casar com o Beto em vez de ir embora pra França.” E eu não tenho que dizer o porquê! É simples!!! É porque eu decidi desta maneira!!!

Nos justificamos muito e muitas vezes por coisas sem importância porque há uma tremenda falta de generosidade por aí, que nos leva a não entender as diferenças, as opiniões, a falta de opiniões, a não respeitar as vontades.

Dá pra mudar isso? Alguém tem alguma idéia?

20
Mar
08

La bella luna

Semana santa sempre foi meu feriado favorito, e melhor ainda é passá-lo em Petrópolis. Faço questão de ficar por aqui, afinal, isso aqui é cidade turística e nada como fazer turismo na própria cidade!

Mas tem uma coisa que deixa esse feriado ainda mais especial. Chega na janela e olha pro céu. Páscoa é sempre na lua cheia. E pensa na lua que tem lá fora. E tá melhor ainda porque o outono tá aí, mas o calor ainda tá também… pensa, pensa!

O feriado promete!

***

Só um plus aqui, porque um amigo blogueiro escreveu um ‘poste’ sobre Chico Buarque e acabei lembrando da minha versão, que martelou um bocado na minha cabeça essa semana: Você não gosta de mim, mas sua mãe me adora!

16
Mar
08

A loucura é feita de certezas…

… literalmente!

O interno vinha passeando pelo pátio do manicômio, puxando uma caixinha de sapato ao mesmo tempo em que falava pra ela: “Vem, Rex! Vem!” Interpelado por um médico da instituição, que lhe perguntara se aquele era o seu cachorrinho, prontamente respondeu: “Claro que não, doutor! Não está vendo que isto é uma caixa de sapatos?”

Certo de que o interno se encontrava curado, o médico comunicou ao interno de que iria prontamente assinar a sua alta.

No que o médico vira as costas, o interno se volta a caixa de sapatos e diz: “Viu Rex? Conseguimos enganar direitinho!”

15
Mar
08

Movimento Tiradentes

Pronto. Chegou então o “poste” que prometi a mim mesma escrever. Tomei conhecimento do Movimento Tiradentes através do professor de filosofia da universidade onde dou aulas. Já tinha ouvido falar do movimento, mas não imaginava que fosse algo assim tão organizado. O professor me passou um panfleto, onde são explicados os propósitos principais do movimento: alterar a lei de inelegibilidade, através de uma lei de iniciativa popular, para não mais permitir a candidatura de pessoas que estejam sendo investigadas por crimes ou respondendo a ações penais.

A iniciativa é majoritariamente louvada. A maior parte das pessoas concorda com a proibição da candidatura de pessoas que estejam respondendo a processos criminais ou sendo investigadas por inquéritos. Só que poucas sabem que sobre esta almejada proibição pesa uma discussão constitucional muito importante, que até hoje serviu de fundamento para que a proibição nunca fosse posta numa lei.

O que acontece é que a Constituição da República, no artigo 5.º, LVII, diz que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória. Em outras palavras, ninguém será considerado culpado até o processo criminal terminar, onde uma sentença, da qual não caiba mais recurso, determine que a pessoa foi condenada por um determinado crime. Este artigo da Constituição consagra o princípio da presunção do estado de inocência, e é utilizado como argumento, um forte argumento, por sinal, para que a inelegibilidade só atinja as pessoas que já estejam condenadas e não as investigadas ou aquelas que estejam ainda respondendo pelo processo.

Isso permite com que pessoas processadas por crimes como corrupção, sonegação, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e outros, venham a ocupar cargos públicos e sejam nossos representantes na República. Concordamos com isso?

Bem, o princípio do estado de inocência é um princípio importantíssimo. Mas, como todo princípio, ele não pode ser absoluto, situando-se acima de todos os outros princípios em qualquer hipótese, e sim, deve ser aplicado dentro de um sistema em que coexistem vários outros princípios, o que permite de certa forma, por exemplo, as prisões para investigação (preventiva e temporária). O problema é que quando se fala de elegibilidade, esse direito sempre sai incólume, sem que nada possa afetá-lo, e isso faz com que pessoas de moral duvidosa cheguem aos cargos de poder público.

O que o Movimento pretende é demonstrar que esse princípio do estado de inocência deve ser relativizado no que diz respeito à elegibilidade – capacidade política de se candidatar e ser eleito – pelo seguinte motivo: permitir a candidatura dessas pessoas vai contra a moralidade pública, e o princípio da moralidade é um dos princípios que regem a Administração pública. Ora, não se quer dizer que a pessoa será considerada culpada, mas o fato de estar sendo investigada por inquérito ou de responder por ação penal, impossibilitaria esta candidatura até o momento em que esta pessoa não fosse condenada.

Resumindo, é uma “briga de cachorro grande”. Mas a Contituição deve ser interpretada conforme, em primeiro lugar, a vontade do povo brasileiro, razão única e fundamento maior da sua existência. E, através de uma lei de iniciativa popular, para a qual o Movimento Tiradentes está chamando a atenção de todos, é que podemos demostrar que a nossa vontade é que o princípio da moralidade comece a agir mesmo antes de alguém ser eleito para um cargo político.

Precisamos fazer alguma coisa e a hora é esta. Entre no site do movimento, cadastre-se, vote, opine. O povo brasileiro é muito conformado com tudo e só sabe reclamar da boca pra fora. Na hora do voto continua votando nas mesmas pessoas. Está na hora de mudar, e mudar, de preferência, fazendo alguma coisa.movimento-tiradentes-ii.jpg

13
Mar
08

De volta às origens

Enquanto todo mundo enche a boca quando divulga alguma ascendência européia, eu encho a minha para dizer que sou descendente de mineiro. Agora caí de pára quedas nessa terra mineira, que eu achei que conhecesse muito bem, mas a cada dia vejo que não. Algumas coisas em especial são muito mais do que eu imaginava.

Tenho um montão de coisas pra contar aqui, e ainda espero ter muito mais. Tenho posts para escrever pra cá e para outros blogs, quero postar fotos, aliás, tenho que fazer estas fotos, porque por enquanto elas só estão na minha cabeça! Mas o tempo para a adaptação está curto demais e a internet lenta demais.

Por enquanto, vou deixar um site para que vocês visitem com a máxima urgência. Trata-se do Movimento Tiradentes. Será assunto do meu próximo post, mas vocês já podem, e devem se inteirar no assunto. Aqui é verdadeiramente a terra da política.

12
Mar
08

Sou eu ou o mundo?

E de repente tudo muda. O que você menos esperava acontece, o que você mais esperava não acontece e as coisas de que você tinha certeza nunca antes foram tão incertas.

Em uma semana eu estou em outro trabalho, outra casa, outra cidade, e uma net discada num computador jurássico, que em breve será substituído.

Afinal, quem manda nessa bagunça toda, sou eu ou o mundo?

E o melhor da brincadeira não é nem saber o que se quer, mas descobrir o que não se quer mais.

08
Mar
08

08/03

Acho uma palhaçada sem fim essa coisa de “Dia Internacional da Mulher”. É uma coisa completamente sem sentido. Tem alguém pra me explicar o porquê disso?

Bom mesmo é a cidade que vou trabalhar durante a semana, onde tem um cinema que tem a “terça-feira da mulher”, em que as mulheres pagam R$ 3,00.

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Só pra constar, ontem, outra festa à fantasia… Freud explica? Não consigo dizer não…

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E rapidinho… tô adorando esse negócio de mandar espanhol de volta.!

05
Mar
08

Fazes-me falta

É o título do livro que acabei de ler, escrito por Inês Pedrosa. Já é o terceiro livro que leio dela, e o segundo que não gosto. O primeiro se chama A Instrução dos Amantes. É muito bem escrito, aliás, como todos os outros, mas tem uma historinha meio fajuta. O segundo foi Nas Tuas Mãos. Este eu amei, são três histórias interessantíssimas, da avó, da mãe e da neta, fora o português impecável.

Minha mãe dizia que este, Fazes-me falta, era o melhor dos três, e eu já tinha tentado, tentado, tentado, mas nada do livro me seduzir. Insisti e… cheguei na última página achando o livro chatésimo. São cartas de uma mulher depois de morta remetidas a um homem de sua vida, e cartas deste homem, remetidas a ela. Com certeza minha mãe achou ótimo mais por causa da forma do que do conteúdo, já que ela é professora de literatura. Ou eu achei ruim porque não tenho QI suficiente pra entender… coisas simbólicas demais…

Mas, além do português impecável e enriquecedor do nosso vocabulário medíocre de todo dia, tem umas passagenzinhas, umas reflexões nas cartas, que não são de todo desinteressantes. Vou deixar uma aqui, com a qual não sei se concordo ou não, mas faz pensar:

“Queres saber um segredo? O mundo não tem sentido – e eu continuo aqui, não sei onde, à espera que alguma coisa aconteça. Porque as mulheres nunca se cansam de esperar que qualquer coisa aconteça, dirias tu, por isso envelhecem tarde. Ou, melhor dito, nascem velhas.”

Depois desse, que demorei demais para ler, vou para mais um capítulo do Colapso, que não tem como ser lido de uma vez só, e descansar a cabeça com um Garcia Marquez, que já está criando poeira aqui na estante.