Arquivo para Julho, 2008

31
Jul
08

Dia mundial

Esta coisa de “dia mundial” ou “dia internacional” são datas que sempre me deixam intrigada. Quando o dia faz referência a algum objetivo, como a luta contra o trabalho escravo, ou a luta contra a AIDS, ou luta contra qualquer outra coisa, eu até entendo: um dia próprio para manifestações a respeito, e que mobilizam pessoas, ideais, políticas, etc. Fora isso, só vejo perplexidades.

Eu, por exemplo, vejo o tal “dia internacional da mulher” com certa desconfiança. Por aqui acham que este dia serve para entupir tua página de recados no orkut com desenhos cafonas e mensagens piegas. Não, gente. É um dia pela luta da emancipação feminina que as brasileiras já possuem, e muito, mas que em vários outros lugares do mundo ainda é uma luta que mal começou. É isso. Não dá pra confundir as coisas. Não é como dia das mães ou dia dos namorados. Detesto receber um “feliz dia internacional da mulher”. Eu hein.

Continuando, hoje me deparei com mais uma perplexidade no jornal. Mais um “dia mundial” daqueles que geram a pergunta da Rubro-negra-canguru: “Aí eu te pergunto: pra quê?”. Sim, hoje estava lá: “dia mundial do orgasmo”.

Me resta ficar aqui imaginando como seria a “pauta de discussão”.

Deixem-me trabalhar…

30
Jul
08

Inverno total

Eu aqui curtindo a falta de assunto, fazendo tour pelos blogs da vida, me deparo com o mesmo inverno no ‘Por que a gente é assim?‘. Um inverno de fora e de dentro.

É, Grande amigo, sinto o mesmo. O inverno está aqui em cada neurônio, e eu estou tão desesperada quanto você. Voltei para esta terra fria hoje e meu humor já está mais pra ruim do que pra bom, ainda mais depois do fim de semana ensolarado que acabou. By the way, a praia estava maravilhosa, achei até legal ficar sapecada no primeiro dia e me melecar de filtro solar com areia no outro. E correr de short e camiseta às 18:00. E depois tomar banho quase frio. E eu te chamei, tá?

E você simplesmente não nasceu em Londres porque no seu destino estava lá escrito: você terá uma amiga que vai odiar os dias de inverno tanto quanto você! E ela vai sentir tão profundamente o inverno que a sua falta de inspiração servirá de inspiração para ela escrever um ‘poste’ mais sem inspiração ainda, mas que no fundo vai deixar para todo o sempre, gravado no mundo virtual, a mensagem: o inverno é aquela época do ano quando tudo é mais difícil!

28
Jul
08

15 anos depois

- Alô.

- Maria?

-Sim. Quem fala?

- Já esqueceu minha voz? Só lembra de mim quando vê um prato de maria-mole?

- Ah, então é você. É que você fica tanto tempo sem me ligar que eu esqueço da sua voz…

- Pelo menos eu te ligo. Você, nem isso…

- Você muda muito de telefone. E de casa. E de país. Mas e aí? Me conta uma novidade boa.

- Nenhuma, só tenho ruim. A Dê foi embora pra São Paulo. De vez. Tô arrasado.

- Por isso ontem você fez aquele álbum declaração de amor no orkut?

- É. Fora os e-mails que mando para ela todos os dias. Porque telefone ela não atende mais. Não sei mais o que faço. 

- Dá um tempo. Ela volta.

- Sei não… acho que dessa vez foi definitivo. Mas tá difícil, viu?

- Bem vindo ao clube…

- Tá na mesma também, é? O que houve?

- Nada… tô bem pra caramba. Mas já estive mal, você sabe. Sei como é.

- É…

- …

- Ela disse que precisava trabalhar. Que não dava mais pra viver comigo, que precisava pensar na filha. Não caso mais, Maria, nunca mais. Tô sofrendo… pior é que sei que a culpa é minha.

- Faz parte, crescer dói. Tenta tirar alguma coisa boa disso. Tenta transformar essa tristeza em algo proveitoso. Se você sabe que a sua atitude tem a ver com o fato dela ter ido embora, tá aí uma boa oportunidade pra você fazer diferente. Tenho certeza que qualquer dia ela volta.

- O que você tá fazendo?

- Várias coisas… trabalhando, dando aulas, algumas ações, o processo da minha mãe…

- Não, agora.

- Agora?

- É. Vem pra cá. Tô precisando conversar. Quero te contar umas coisas, não dá pra ser por telefone.

- Agora não dá. Tô sem carro. Vem você.

- Tô meio mal. Além de tudo, tô gripado. Tua mãe tá aí?

- Tá sim, tá de férias também.

- Então não vou.

- O que que tem?

- Não vou. Ela não gosta de mim, Maria…

- Não sei de onde você tirou isso… ela é maneira, você que tem medo dela!

- Eu dormi na calçada da casa dela, esqueceu disso? Se eu fosse ela acho que eu não gostaria muito de mim.

- É…

- Então, vem?

- Não sei. Mais tarde talvez. Eu te ligo, mesmo! Quero saber do México.

- Não vai ligar. Nem tem meu telefone.

- Fala aí…

18
Jul
08

Uma rua como aquela

A onda deste blog nunca foi contar histórias. Talvez até seja, mas não com narrativas em terceira, às vezes em primeira pessoa, como alguém dos links aí ao lado desempenha com mestria. Mas esta é uma boa história para ser contada. Vamos ver se dou conta do recado.

Eles se “reconheceram” numa festa de uma amiga dela. Ela acompanhada de um sujeitinho meia-boca, ele afim da amiga dona da festa. Era uma daquelas festas adolescentes que acontecem quando a mãe-dona-da-casa viaja e todos ficam bêbados com bebidas ruins. Mas o que se deu de mais importante neste dia fora isto: eles se reconheceram.

Tinham sido amigos de infância. Moravam na mesma rua. Ela, uma menina que ainda brincava de bonecas, tinha a bicicleta mais nova da rua e se intitulava “presidente do clubinho”. Ele, o filho mais velho de três irmãos. Mais velho, mais levado, mais atrevido. Ousava por vezes bater à porta da casa dela para pedir a furadeira emprestada para “consertar o skate”, e, é claro, questionava a “presidência do clubinho”. Mas ainda assim se davam bem. E naquela festa se reconheceram.

Se reconheceram 5 anos depois dele ter mudado de cidade, devido à separação dos pais. Agora estava de volta. Mas ali não tinha mais como rolar nada além de trocas de lembranças, pois ambos estavam, ainda que por uma noite, comprometidos. E dito e feito. Passada aquela noite, cinco dias depois começaram a namorar.

Acontece que o sujeitinho meia boca, numa destas madrugadas da vida, fez uma certa pressão para que ele falasse a verdade, pois não acreditava que o namoro existisse. Ele não pensou duas vezes: se mandou com o desafeto, e mais duas testemunhas, para a porta da casa da menina, provar que sim: eles estavam namorando. Só que devem ter chegado por lá por volta de quatro e meia da manhã. Não dava para bater na porta àquela hora. Dormiram na calçada.

Seis e meia da manhã, toca o telefone, a mãe dela atende, era a vizinha: “Bom dia! Desculpe acordar vocês mas é eu estava saindo para ir à feira, passei por sua rua, e tem quatro dormindo na sua porta. Mas não são mendigos não. Pela pinta, devem ser amigos das meninas”. A mãe, ainda meio atordoada com a notícia, comunica ao pai, que prontamente se levanta e, ao invés de resolver a história sozinho, vai até lá, dá uma espiada, reconhece os infelizes, e volta para acordar a menina dizendo: “Levanta que tem quatro te esperando, dormindo lá na calçada.”

Ela põe o roupão cor-de-rosa, sai toda descabelada, dá uma espiada, vê o namorado, o desafeto do namorado e as testemunhas dormindo sentados na calçada, e só consegue pensar: “Putaqueopariu, era só o que me faltava. Por que meu pai não foi lá e resolveu tudo? No mínimo pra me sacanear o resto dos meus dias.” Voltou, escovou os dentes, prendeu o cabelo. Disse que ia voltar pra cama. A mãe insistiu para que ela fosse abrir a porta e ela foi. Respira fundo, um, dois, três e “que diabos você está fazendo dormindo na calçada da minha casa????” E ele responde: “Nada, linda. É que eu senti saudade e resolvi amanhecer aqui.”

Ela teria acreditado se naquele momento seu primeiro namorado fosse apenas um primeiro namorado comum, e não um primeiro namorado que já tinha sido um amigo de infância pra lá de excêntrico. Então, pela primeira vez exerceu um ato de lealdade, se fez de apaixonada, deu-lhe um beijo cinematográfico e disse-lhe ao pé do ouvido: “mais tarde a gente conversa”, afinal, ele não podia sair na pior na frente dos amigos.

PS: “Uma rua como aquela” é o um livro de Lucília Junqueira de Almeida Prado, que conta a história de jovens que moravam na mesma rua e que viveram aventuras e desventuras no passar dos anos. Pela identificação com a história, o título do ‘poste’.

16
Jul
08

O trem

Vou contar uma coisa para vocês. Aqui passa um trem. De onde eu venho, trem é uma coisa que existiu há muito tempo atrás e, portanto, nunca fez parte do meu dia-a-dia. Mas aqui tem um trem de minério que quando está cheio precisa de umas três máquinas para puxar os vagões. O trem passa longe de onde eu moro, mas à noite, no silêncio, é possível escutar seu barulho e seu apito, muito, muito longe. Isso faz o trem ser mais assustador do que se eu morasse ao lado da linha. Esse barulho longínqüo me incomoda. Não como todos os outros barulhos que sempre me incomodam, mas sinto um arrepio toda vez que escuto, um sensação estranha. Então eu estava aqui, nesta madrugada, envolta na luz azul do monitor e o trem passou, e eu senti a sensação estranha. Agora eu digo a vocês: eu não gosto do trem.

11
Jul
08

Bafo ardente

Opiniões pipocam para todos os lados a respeito da chamada “Lei seca”, então vou pipocar a minha por aqui também. A começar que não entendo uma coisa: como uma lei dessa passou. Num país onde se conhece a força da indústria da cerveja, onde esse povo estava que não conseguiu lobby suficiente para embarreirar a lei, eu não sei. Mas a lei passou, está aí pra todo mundo e só Deus sabe no que isto vai dar.

Por enquanto, a imprensa está noticiando uma queda significativa no número de acidentes de trânsito e de registros de entrada em hospitais de vítimas destes acidentes. Mas não está dando muito para confiar na imprensa ultimamente, principalmente depois que ela deixou de lado a função de informar e se embrenhou em fazer o papel de polícia e ditar a verdade que constrói. Deixa pra lá, isso é outra discussão. Mas só por aí poderíamos dizer que esta lei está funcionando, está dando em alguma coisa, alguma coisa boa. Não é? Mais ou menos…

O problema é que a lei é extremamente arbitrária no que tange a direitos fundamentais, aqueles lá da Constituição, aqueles que meus queridos tendem a enxergar apenas como uma decoreba para passar de semestre e não se tocam de que eles têm influência em todo direito e mais, no dia a dia de cada um. No meu, no seu, no de todos. Explico: a testagem em que a lei se baseia para punir o motorista que está dirigindo sob o efeito de álcool é feita pelo etilômetro, vulgo bafômetro. No entanto, tal testagem não pode ser obrigatória pois uma pessoa não pode ser coagida a produzir prova contra si mesmo. E várias pessoas me perguntam: mas onde na Constituição está dito isto? Então, não está dito assim literalmente, mas todo direito é formulado com base em interpretações, e, neste caso, uma bem simples, conjugando o princípio do estado de inocência, a ampla defesa e o direito de permanecer calado. Então, ok. Se ninguém é obrigado a assoprar pra conferir o bafo, ótimo. Me recuso e bye, bye, seu guarda!

Mas o pior é um parágrafo incluído pela nova lei: de que a multa e a suspensão de dirigir serão aplicadas caso a pessoa se recuse a fazer o teste. Isso deveria ser aplicado em conjugação com um outro parágrafo (também novo, que vem antes daquele) que diz que deve haver sinais evidentes de embriaguês, percebidos pela autoridade. Traduzindo: estamos na mão da polícia, LITERALMENTE, que também só Deus sabe que intenções possui. Aí a polícia enxerga bêbado em quem quiser. Se o cara quiser te ferrar, vai multar. Se quiser receber algum, vai multar. Se quiser mostrar serviço, vai multar, ainda que você tenha bebido chá light a noite toda e se recuse a dar a baforada. Ou seja: você está sujeito a multa caso exerça seu direito CONSTITUCIONAL de não produzir provas contra você mesmo. Bizarro? Total. Depois desta, dá vontade de morar na Itália e virar restafári.

Continuando, como não sou boba nem nada, sempre digo, e creio absurdamente nisto, todo país tem a lei que merece, os governantes que merece, etc, etc, etc. Essa aberração jurídica surgiu porque o povinho abusou. Eu abusei, tu abusaste, ele abusou, nós abusamos. Se fôssemos civilizados como em outros países por aí, não haveria brecha para uma lei ABSURDA, INCONSTITUCIONAL, REPRESSORA, TIRANA, como esta. Ou seja, é o nosso comportamento ESTÚPIDO que nos faz ficar a mercê de governantes que só querem privar a nossa liberdade. Esta lei é mais uma que entra pra minha teoria da conspiração do pacote anti-democrático, e veio com força total porque não conseguimos respeitar a anterior, que tinha um índice de tolerância bem maior. Todo mundo continuou enchendo a cara e aprontando todas por aí.

Não é a restrição da bebida em si que faz com que a lei seja ruim, é a forma com que isto é feito: restringindo direitos fundamentais, e as consequências desastrosas que isto pode gerar numa democracia. Isto sim é um problemão. Uma brecha desta e qualquer dia viramos uma ditadura.

08
Jul
08

Run, Maria, run

Correr faz bem pro coração. Em todos os sentidos.

07
Jul
08

O ‘poste’ que não escreverei

Acabei de responder a um e-mail de uma amiga. No e-mail dela ela me fazia uma pergunta bem direta, como foi a minha resposta. E foi uma resposta tão crua e ao mesmo tempo tão sem sentido que até agora estou pensando se eu falei a verdade ou não. A resposta à sua pergunta está classificada naquela categoria “coisas que moças de bons modos não diz”, ou “coisas que se eu tivesse juízo eu não diria”, e, é claro, minha resposta daria um senhor ‘poste’. Mas, é claro, não vai dar. Não vai rolar. Ainda que pudesse ser o ‘poste’ do século, não dá pra escrever não, caro leitor,  porque a resposta sou eu demais. Aliás, não. É Amélia demais. São idéias aprisionadas nesta cabeça de 30, nesta cidade feia que cruzei hoje, nesta angústia que vai durar até o fim da semana ou até esta noite. Foi uma resposta que eu não queria dar e dei. Foi uma resposta dada por uma pessoa na qual eu me transformei. Se eu ainda fosse aquela não teria respondido assim, ou talvez nem a pergunta tivesse sido feita. O fato é que não tem mais como ser aquela de antes. Nem de não dizer o que disse, porque eu já disse, e dito está, e agora é mais uma vez colocar a paciência para funcionar. Mais uma vez. Mais uma vez.

03
Jul
08

Esporte nacional

Ontem fechei a banca cedo pra me mandar pra casa e ver o jogo (não há tricolor suficiente nesta terra pra preencher uma mesa num bar). Na verdade meus planos incluiam uma ida ao Maracanã, mas as contingências dos últimos dias deixaram o interesse pelo ingresso de um jogo de um time que não é o meu para a última hora, e eu acabei ficando aqui mesmo nesta terra do pão de queijo, cheia de rubro-negro-do-brejo.

Assisti ao jogo, torci pelo time das Laranjeiras pois não dá pra torcer pra equatoriano, e fiquei muito p. da vida por ter ido dormir 1:00 da manhã com vitória de equatoriano. Mas, tudo bem, não sou tricolor. Então, como diria a rubro-negra-canguru, whatever!

Hoje acordo (além da hora por ter ido dormir além da hora), abro o fofocódromo e tem lá um monte de fotos nas páginas dos rubro-negros-com-tempo-sobrando e palmeirense-sem-ter-o-que fazer, sacaneando os pobres dos tricolores que jogaram bem pra caramba, mas não levaram o título porque se tratava de um jogo (e se jogo fosse concurso chamava concurso e não jogo).

Então, neste que considero ser meu primeiro ‘poste’ futebolístico (não vou voltar atrás pra ver se já existe algum outro), concluo dizendo que o esporte nacional não é o futebol, mas sim sacanear o torcedor do time ao lado. Esporte que há tempos não pratico, diga-se de passagem.

PS: Só um parêntese nada a ver com o futebol. A tal da Ingrid Betancourt é estrela total da lista de mulheres que invejo. Política, seqüestrada, cidadã francesa, saúde de ferro e, ainda por cima, quando foi libertada, tinha um marido e um ex-marido esperando por ela. Praticamente um mito! Talvez um dia ela mereça um ‘poste’.

02
Jul
08

Coração despedaçado

Está chegando uma hora que eu achei que fosse demorar muito pra chegar. Acho que me distraí (mais ou menos no contexto das respostas do ‘poste’ abaixo), e agora a emoção atropela e eu não-sei-o-que-faço-com-as-lágrimas-que-me-vêm-aos-olhos cada vez que um dos meus queridos chega pra mim dizendo algo do tipo:

“Mas a senhora continua, não?” ou “Foi um prazer conhecer a senhora.” ou algum outro recado escrito no cantinho da prova final, a lápis, para que eu possa, depois de ler, apagar, pois a prova final fica sempre arquivada.

Então, meus queridos, vocês não vão ler esta mensagem porque escondo a minha vida virtual de vocês, assim como escondo as minhas lágrimas, mas eu ainda não sei se continuo ou não, e sobre isso nós já conversamos, e vocês sabem que não depende de nós, pois se dependesse, seria feita a nossa vontade.

Também foi um prazer conhecer cada um de vocês, cada um foi um desafio especial para mim. E desejo sinceramente que vocês também tenham uma vida linda, pois vocês merecem. E Deus estará sempre do lado de vocês, assim como estará sempre ao meu lado.

E agora eu comecei a entender o que a vida toda ouvi: que ensinar é a maior forma de aprender. E com vocês aprendi 1% a mais de direito e 99% a mais de “ser pessoa”.