Arquivo para Setembro, 2008

29
Set
08

Poste sem título

A onda avassaladora de inspiração que rendeu um poeminha de pé quebrado (de onde mesmo que tirei isso?) se foi e agora está tudo uma calmaria só. Bem, calmaria na inspiração, porque na “transpiração” (dizia o Tio Patinhas que na vida é 1% de inspiração e 99% de transpiração), o bicho está pegando, o cérebro está fervendo e só não aplaco um mau-humor total porque não é que dei sorte de ter ouvido várias musiquinhas legais no showzinho cover de sábado? E de mais a mais, não sou do tipo que dá trela pra mau-humor, porque tenho mais o que fazer do que encher os outros com os meus problemas (se bem que ontem uma pobre alma ouviu, ou melhor, leu!).

Não, isso aqui não virou um blog diarinho, então, para não perder a viagem, aproveito para fazer algo útil, divulgar a campanha do Edu, que escreve o blog Só os corpos se entendem…. O selo da campanha segue abaixo e dispensa maiores comentários.

23
Set
08

Para ti

Não quero mais a frieza estática das fotografias,

E o que vem por escrito já não me basta. Assim como você,

Agora quero os movimentos, quero os sons e as danças.

Ouvir meu nome na tua língua (“Como prefere que a chame?” – diferente de todos, jamais perguntou)

E todas as outras palavras.

Quero a pele arrepiando, quero o cheiro, as mãos falando.

Quero o rubor da face, olhares cruzados, aplausos, risadas, muitas risadas.

Quero gosto, quero doce, amargo, molhado.

Quero de um querer quente. Vento no rosto, ouvido no peito, coração batendo. Abraço.

Respira, respira…

Quero o mundo ao contrário, as pontas dos dedos nas pontas dos dedos.

Quero a cabeça na ponta dos pés.

21
Set
08

Para todas vocês e para mim, é claro!

Não é por estar na sua presença
Meu prezado rapaz
Mas você vai mal
Mas vai mal demais
São dez horas, o samba tá quente
Deixe a morena contente
Deixe a menina sambar em paz

Eu não queria jogar confete
Mas tenho que dizer
Cê tá de lascar
Cê tá de doer
E se vai continuar enrustido
Com essa cara de marido
A moça é capaz de se aborrecer

Por trás de um homem triste há sempre uma mulher feliz
E atrás dessa mulher mil homens, sempre tão gentis
Por isso para o seu bem
Ou tire ela da cabeça ou mereça a moça que você tem

Não sei se é para ficar exultante
Meu querido rapaz
Mas aqui ninguém o agüenta mais
São três horas, o samba tá quente
Deixe a morena contente
Deixe a menina sambar em paz

Não é por estar na sua presença
Meu prezado rapaz
Mas você vai mal
Mas vai mal demais
São seis horas o samba tá quente
Deixe a morena com a gente
Deixe a menina sambar em paz

(Chico Buarque – Deixe a menina)

Modelito casamento: R$ 500,00.

Conta do bar: R$ 10,00 per capta (pelo valor da conta, acho que dá pra imaginar o naipe do bar).

Cantar a musica aí de cima com as amigas, numa mesa de bar na calçada, às 6 da tarde, trajando o modelito casamento, definitivamente, NÃO TEM PREÇO!

E ainda terminando a música na versão especial feita pro Barão (parabéns, Barão!):

São seis horas o samba tá quente
Deixe a Cristina com a gente (deixe a Cristina contente!)
Deixe a Cristina beber em paz

19
Set
08

Mediterrâneo

A mãe diz para a criança: “não enfia o dedo na tomada”. Adianta? Não, né? Pois é, fui ver o tal do Mamma Mia!, ainda que já tivesse lido aqui que o resultado da mistura de ABBA, Meryl Streep e Grécia, com título italiano, tinha sido desastroso. O dedo foi pra tomada, mas, ao menos, o choque não foi tão grande.

Confesso que estava ansiosa para ver o filme. Ansiosa não, curiosa. Por causa de uma entrevista com a Deborah Colker, há muito e muito tempo atrás, em que ela dizia ter visto o musical e adorado. Tarde pra lá de fria na terra do pão-de-queijo, me mandei para o UCI, que certamente estaria mais quente que a minha casa.

O filme não foi, pra mim, um choque total. Achei divertido, até gosto de musicais, nem me importo de confessar que já soube todas as músicas da Noviça Rebelde e da Mary Poppins de cor. E do que foi feito nos últimos tempos, achei Moulin Rouge fantástico. Mas no Mamma Mia! uma coisa me incomodou. Muito. O ambiente do filme. Porque, vamos e venhamos, a Grécia não tem NADA a ver com a música do ABBA. Tirando I believe in angels (que no fundo tem uma batidinha grega) o resto só remete a minha memória à luzes, boates, festas, e paetês. Nunca, jamais, a uma ilha Grega habitada por uma hippie. Se coubesse à mim musicar o filme mandava aquela “when the moon is in the seventh house“, mas não ABBA. Foi isso que não me fez adorar o filme, mas, como era original do musical, não dava pra ser modificado. Neste ponto, as músicas do ABBA foram muito mais adequadas para o “Casamento de Muriel”.

Fora isso, a interpretação da Meryl fica, obviamente, restrita por causa das situações ridículas pelas quais ela tem que passar (cantando), e as duas atrizes que fazem as amigas dela (não guardei os nomes) dão um show, valem o filme. As paisagens também, mas se, se você for assistir só por isso, não vá. Não perca tempo. Procure um filme chamado “Mediterrâneo”, que é falado em italiano de verdade, e é de uma simplicidade comovente. Lindo. Lindíssimo. É daqueles que não canso de ver. Eu simplesmente amo este filme.

09
Set
08

Maldita nostalgia

Um ‘poste’ por aí me fez lembrar do Cine Miragem, que tinha aqui na cidade. Ficava numa praça em frente ao meu colégio, a maior concentração de mendigos do local. Eu morria de curiosidade de entrar ali. Não pelos filmes de quinta e pornôs que passavam, porque eu era muito pequena, uns 4, 5 anos, não atinava para o “conteúdo”. Mas me encucava o fato de que naquele cinema ninguém me levava. Minha mãe dizia pra mim que o cinema era sujo e com pulgas (e era mesmo).

Anos depois, eu já na faculdade, o “recinto” virou um estacionamento. E nunca vou esquecer a primeira vez que parei o carro ali e fiquei um momento observando as paredes, a antiga tela, como se resgatasse uma memória que não tinha. Estacionamentos em locais onde foram cinemas me dão angústia. E cinemas antigos e abandonados me deixam me dão uma certa nostalgia de coisas que não conheci… outro dia fiquei um tempão parada em frente a um cinema antigo aqui na terra do pão-de-queijo, olhando pela porta de vidro, vendo as cadeiras espalhadas pelo que deve ter sido o saguão, cartazes pintados de guache com horários de filmes pornôs espalhados por toda parte. Um retrato de decadência. Quase poético.

Tenho enorme vontade de ir ao Cine Íris, no centro do Rio, que eu acho que ainda funciona, não para as festinhas ‘modernetes’ que rolam de vez em quando. Quero ir para assistir uma porcaria qualquer às duas da tarde. Mas até hoje não arrumei uma companhia louca o suficiente para me acompanhar. Ir sozinha, não rola. Rio de Janeiro, sabe como é…

(OBS: isto foi comentário feito aqui. Trouxe pra cá, melhorei e virou ‘poste’)

07
Set
08

Momento B.C.

Uma pitangueira carregada no quintal e uma garrafa de vodca no freezer me fazem sorrir.

PS: o ‘poste’ é dedicado às pitangas pelo simples fato de serem pitangas, frutas deliciosas que às vezes dão e às vezes não dão.

PS2: um dia eu conto pra vocês porque escrevo ‘poste’. Alguns sabem.

05
Set
08

Desafio

Quando eu era criança eu era fera em “pular elástico”. Agora tenho que aprender a brincar de “puxar o elástico”.

PS: Sim, isto é um ‘poste’  piada interna, e eu me reservo ao direito de não dar satisfações a ninguém (coisa que eu já não faço mesmo).

02
Set
08

Ensaio Sobre a Cegueira

Foi naquela nossa melhor noite que, no meio de discussões ortográficas sem sentido, você me disse Já leu Ensaio Sobre a Cegueira, Não, não li, Então leia, eu sei que você tem na estante, já me contou, você vai gostar. É intenso.

Então, caros leitores (voltando à pontuação da norma quase culta, que Saramago abandona), não sou uma devoradora de livros. Já até confessei aqui que ler me aborrece. Mas, para ajudar no ofício professora/pesquisadora/blogueira/enxerida, ler é necessário e ponto final. Mais necessário ainda quando aparece um fim de semana frio e chuvoso acompanhado de uma gripe/alergia que me ama e não me abandona jamais, fim de semana daqueles em que a cama é o melhor lugar, o melhor remédio, fim de semana em que alguém te diz assim: ”juízo, hein?”, e mesmo que você tenha algum, não terá a menor serventia, porque da beira da cama não passa. E consegui chegar ao ponto final do livro. Nada mais oportudo já que o filme vem na semana que vem.

Muito bom. Já tinha tentado ler A Jangada de Pedra, mas foi em vão. Achei demais para uma pessoa que não é apaixonada por ler. Mas o Ensaio tem uma angústia que me prendeu do início ao fim, embora eu não tivesse muita expectativa em relação ao final do livro, que, decerto, não supreendeu. É um livro que te traz para dentro da história. Acho que ninguém o lê sem pensar: “e se fosse comigo?”, “e se fosse com a gente?” e a partir daí surgem milhares e milhares de reflexões, e um certo medo.

Então adianto para vocês a minha impressão do livro: é realmente intenso e angustiante. Não ia publicar agora (pois parece que não faço mais nada da vida a não ser me dedicar às literaturas), mas já que vem o filme, vem em boa hora. Fico pensando que não devo achar o filme grandes coisas.

Devo dar um tempo por aqui. Um artigo importante deve me consumir por uma ou duas semanas, e aí sim, literatura específica da melhor qualidade irá me acompanhar por estes dias, rumo à próxima meta que é um congresso em Brasília. Quero muito ir ao congresso, mas quero mais ainda ir a Brasília.