A mãe diz para a criança: “não enfia o dedo na tomada”. Adianta? Não, né? Pois é, fui ver o tal do Mamma Mia!, ainda que já tivesse lido aqui que o resultado da mistura de ABBA, Meryl Streep e Grécia, com título italiano, tinha sido desastroso. O dedo foi pra tomada, mas, ao menos, o choque não foi tão grande.
Confesso que estava ansiosa para ver o filme. Ansiosa não, curiosa. Por causa de uma entrevista com a Deborah Colker, há muito e muito tempo atrás, em que ela dizia ter visto o musical e adorado. Tarde pra lá de fria na terra do pão-de-queijo, me mandei para o UCI, que certamente estaria mais quente que a minha casa.
O filme não foi, pra mim, um choque total. Achei divertido, até gosto de musicais, nem me importo de confessar que já soube todas as músicas da Noviça Rebelde e da Mary Poppins de cor. E do que foi feito nos últimos tempos, achei Moulin Rouge fantástico. Mas no Mamma Mia! uma coisa me incomodou. Muito. O ambiente do filme. Porque, vamos e venhamos, a Grécia não tem NADA a ver com a música do ABBA. Tirando I believe in angels (que no fundo tem uma batidinha grega) o resto só remete a minha memória à luzes, boates, festas, e paetês. Nunca, jamais, a uma ilha Grega habitada por uma hippie. Se coubesse à mim musicar o filme mandava aquela “when the moon is in the seventh house“, mas não ABBA. Foi isso que não me fez adorar o filme, mas, como era original do musical, não dava pra ser modificado. Neste ponto, as músicas do ABBA foram muito mais adequadas para o “Casamento de Muriel”.
Fora isso, a interpretação da Meryl fica, obviamente, restrita por causa das situações ridículas pelas quais ela tem que passar (cantando), e as duas atrizes que fazem as amigas dela (não guardei os nomes) dão um show, valem o filme. As paisagens também, mas se, se você for assistir só por isso, não vá. Não perca tempo. Procure um filme chamado “Mediterrâneo”, que é falado em italiano de verdade, e é de uma simplicidade comovente. Lindo. Lindíssimo. É daqueles que não canso de ver. Eu simplesmente amo este filme.