Arquivo para Outubro, 2008

28
Out
08

Eu gostaria de chamar ao palco…

… meu parceiro Rodrigo, autor do Por que a gente é assim?, afinal, parceiro na vida real há um montão de tempo (que ainda acho pouco), merece parceirar por aqui também.

Eu o chamei até aqui pra falar de música, assunto sobre o qual me sinto hipossuficiente quando estou do lado dele – é um aprendizado a cada encontro, a cada madrugada, a cada viagem. A idéia da parceria surgiu de uma mistura de reconhecimento de sua capacidade para falar do assunto com um sentimento de fã de carteirinha que só uns poucos que nutrem por ele o mesmo sentimento podem entender: uns poucos que, como eu, têm na trilha sonora de suas vidas, músicas batucadas em seu violão.

Convite feito, ele aceitou (!), e até se cadastrou como usuário. Mas como, quando, e sobre o que ele vem falar, eu não faço idéia. A liberdade dele aqui é completa (do contrário, acho que ele nem pensaria em aceitar), e o espaço é do tamanho que ele merece. Eu, como vocês, agora aguardo o que vem por aí!

Rodrigo, fique a vontade que eu vou buscar a cerveja!

27
Out
08

Curta metragem IV

Na primeira vez que a viu, se deslumbrara com aquela boca. E foi só aquela.

Ela era de uma beleza modesta, magra, corpo bem feito, sem maiores predicados. Figura sem muitas cores. Mas quem mandava mesmo ali era a boca: quando falava, então, hipnotizava. Era um convite. E, às vezes, uma ofensa. Algo realmente difícil de se desviar os olhos.

Com a chegada da primavera, um dia a boca veio acompanhada de um decote. Nada demais, a boca continuava imperando. O decote só tornava o convite mais belo, com sua moldura florida.

Mais tarde, em casa, nada a fazia esquecer da imagem que vira. Foi uma tormenta escapar das investidas do namorado com desculpas sem sentido.

23
Out
08

Ciúme

Bandido sempre lança moda. Tô setindo que ciúme tá na moda. Tô achando que vou começar a praticá-lo nesta primavera-verão.

20
Out
08

4 dias

Eu olho para o calendário. 4 dias. Já chequei a previsão do tempo. Três vezes. Já mudei os planos para a bagagem. Ao mesmo tempo querendo que os dias passem, quero que as horas esperem, para que eu consiga fazer tudo que deixo de fazer enquanto decido entre um vestido ou qualquer outra coisa, enquanto eu penso na cor do esmalte… tudo tão supérfluo. Fará diferença?

Não sei o que faço com estes 4 dias, não consigo nada útil para preenchê-los.

Há algo aqui dentro tão inquieto, procurando respostas para perguntas saltadas de um mundo tão relativo, incompatível com a idéia de que tempo e espaço sempre serão tempo e espaço. O tempo leva o tempo que deve levar. E o espaço mede o que sempre mediu.

É na relação espaço/tempo que um dia se mediu a velocidade. De repente, tudo mudou. Bites por segundo não respeitam as reais dimensões de tempo e de espaço. E nisto reside a nossa angústia.

16
Out
08

Na ponta do lápis

… já que na língua a coisa continua igual.

Assunto mais que batido nessa rede é o tal do ‘acordo ortográfico’.

Mami letrada diz que essa história tem tempo, mas que a língua é uma coisa incontrolável (ela se refere à língua portuguesa, ok, pessoas?) e não se faz com acordos.

Diogo Mainardi explica bem didaticamente para que servirá o acordo, na Óia desta semana.

Já a blogueira que vos fala acredita, sinceramente, que deveríamos esperar mais uns 20 anos para fazer uma mudança. Creio que em 20 anos quem está com até 22 hoje, e destes para baixo, se comunicará perfeitamente, com pleno domínio ortográfico, no tal do ‘miguxês’. Pronto. Poupa-se uma reforma.

Aliás, não sei porque não aproveitaram a onda da reforma e assassinaram de vez o infinitivo dos verbos. É só o que se vê por esta rede. Vocês sabem o que é infinitivo, certo?

Enfim, desta vez, perdoem o Presidente. Definitivamente, ELE NÃO SABE O QUE FAZ!

12
Out
08

O que as mulheres amam acima de tudo?

Um dia, Artur estava caçando na floresta, quando foi surpreendido por um homem armado com uma clava. O homem pretendia vingar-se de Artur, por ter sido lesado em seu patrimônio. Artur, estando desarmado, ficou a sua mercê. Vendo-o indefeso, o homem decidiu-lhe dar uma oportunidade, trazendo a resposta para a seguinte questão: O que as mulheres amam acima de tudo?

Durante longos meses, Artur percorreu o país recolhendo respostas de toda espécie. Quando o prazo se esgotou, ele voltou à floresta, à procura do homem com a clava. Enquanto tentava localizar o lugar em que o havia encontrado no ano anterior, uma horrenda mulher aproximou-se e lhe disse: Eu conheço tua missão e posso te garantir que todas as respostas que tu conseguiste são ruins. Eu sou a única a saber a verdadeira resposta, mas só posso revelá-la se tu prometeres me desposar.

O rei hesitou, mas acabou aceitando a proposta, na esperança de que algo acontecesse e lhe permitisse livrar-se do combinado. A mulher então lhe disse: O que as mulheres amam acima de tudo é a Soberania. Diga isto a teu inimigo e ele amaldiçoará aquela que te  instruiu.

Artur seguiu caminho e encontrou o homem com a clava. Ele começou dando as respostas que havia recolhido. Nenhuma foi considerada a boa resposta. Artur então lhe disse: É a Soberania. O homem com a clava começou a gritar enraivecido: Não há dúvida, foi minha irmã quem te instruiu. Eu gostaria de vê-la arder no fogo! Mas como Artur cumpriu o que lhe foi pedido, o homem o deixou partir.

Entretanto, a horrenda mulher logo apareceu e cobrou a promessa feita. Com a morte na alma, Artur voltou à corte e mandou celebrar o casamento.

À noite, ele deitou-se a seu lado e imediatamente lhe deu as costas. A mulher, carinhosamente, pediu-lhe: Dê-me pelo menos um beijo, por cortesia. Artur voltou-se a fim de atender ao pedido. Ao seu lado estava a mulher mais bela que ele já havia visto em toda a sua vida. A desconhecida, então, lhe disse: Você pode escolher: me ter bela à noite e horrenda de dia, ou ao contrário. Artur achou que a escolha era muito difícil e deixou que ela mesma resolvesse o que preferia. Ela então respondeu: Você me terá bela de noite e de dia. Minha madrasta, por magia, me reduziu a esta forma repugnante e eu só me retornaria à forma normal se o rei mais poderoso do mundo me desposasse e me concedesse Soberania em tudo.

Entenderam, certo?

OBS: este conto é proveniente da Bretanha, uma das regiões habitadas pelos povos celtas.

09
Out
08

A tal da trilha sonora

Que me perdoem os homens de gosto duvidoso, mas uma boa “trilha sonora” é fundamental. Gosto não se discute, é claro, mas a “trilha sonora” de um homem precisa conter elementos que o caracterizem como tal, que descrevam sua personalidade, que mostrem que ele não brinca em serviço.

Não precisa conter apenas músicas adoradas pelas mulheres, e é até bom que não sejam só essas. Coisas “brutas” fazem parte. Ritmos estranhos, letras fortes.

É permitido um ou outro deslize para momentos de pantufa de jaca, finais de festa e corações partidos. Mas isto, jamais, pode ser usual. É a exceção da exceção. Sempre.

E a Maria está aqui dizendo isso não só para exaltar os espécimes maravilhosos com quem convive – realmente os homens que fazem parte do meu cotidiano têm um gosto excelente – mas também porque está precisando desabafar o contrário, mas não pode. Vontade imensa de contar os pecados de alguém, e dizer: “filhinho, acorda”, mas não dá.

Oh ética que por vezes me consome! Oh cruel mundo virtual que não deixa você saber quem vai um dia passar por aqui para ler este besteirol. Auto-censura dos infernos que não me permite dizer algo que poderia magoar alguém pra quem, na verdade, eu não tô nem aí.

Homens, há de ter um pouco de rock’n'roll nisso tudo, POR FAVOR!

PS: aproveitando que toquei no assunto música, vou propagandear o blog novo na listinha ao lado, do grande (grande mesmo) Dudu, que está muito, muito legal. Não, Dudu não está me pagando 1 centavo para a propaganda. É pura gentileza bloguística (leia-se: puxação de saco pra panela). Acessem o Melodiária.

07
Out
08

… todo mundo, de repente, ficou lindo, ficou lindo de morrer…

Neste fim de semana pintou lá por casa o DVD do filme Vinícius (pra quem não sabe quem é – sei lá onde este blog é lido – Vinícius de Moraes, o poetinha), que, pra variar, eu ainda não tinha visto. Meus pais se aboletaram no romititcher novo deles para assistir, e eu, que estava ali na área preparando aula de direito tributário (pensem na minha cara de felicidade), fiquei de ouvido comprido no filme, e até parei pra assistir por uns 15 minutinhos.

Vinícius não é mesmo novidade para mim, de forma que o filme também não foi (apesar de ter achado muito bom, interessante, etc). Acho que dos poetas que gosto é com ele que tenho mais intimidade e mais identificação. Por que? Por causa da paixão, oras. Vinícius era de uma entrega sem medo do que poderia vir adiante. Enquanto viesse alegria, ótimo. E se viesse dor, assim é a vida.

E no filme, num depoimento de Edu Lobo, ele fala de uma frase de uma música que fez em parceria com Vinícius, que diz mais ou menos o seguinte: que é melhor viver do que ser feliz. E não é?

Bem, talvez não pra você. Pra mim, com certeza. Ser feliz fugindo das paixões é o discurso do politicamente correto e do friamente calculado que tem nos sufocado. Eu sou menos eu quando não estou apaixonada. Ainda que cause muita dor em alguns momentos, eu não estou nem aí. Eu sou assim.

03
Out
08

E por falar em perdidos…

No feriado de primeiro de maio, sobre o qual falei num ‘poste’ do dia 12 de maio, houve um episódio de “ih, acho que o caminho não é bem esse não”. Pois bem.

Sabem como é homem no comando, né? O homem era alemão. E o alemão saiu comigo, mais esposa – brasileiríssima – e filhos, da beira da BR-040 pra ir “ali” em Tiradentes. “Ali” porque Tiradentes pra mim é ali. É sair de casa, BR-040 até Barbacena, virar na BR-265 e chegar. Simples assim. Caminho que fiz criança, adolescente e adulto não sei quantas várias vezes. E o alemão vai na net, pega um monte de mapa (pra ir “ali”), e tal, e eu só sorrisos fingindo tudo normal, fingindo não sacar que ele não estava confiando a mínima em mim. Chegamos.

Feriado tudo de bom, fora o encontro de motos no local que quase deixa a gente sem local pra ficar, etc, etc (vão lá ler o ‘poste’, caramba! 12 de maio, não vou lincar), idas e vindas frenéticas de Tiradentes a São João del Rei (porque lá o estanho é mais barato), chega a hora de voltar pra casa. Saindo de São João del Rei, o alemão no comando (traduzindo: dirigindo meu carro e cheio de certeza do caminho) passa por uma praça que não tínhamos passado antes, eu questiono, uma rua que não tínhamos passado antes, eu questiono, até que eu avisto uma placa “Belo Horizonte – 200 km”. Pára, Hans, pára! Volta. Isso não é a BR-265. E ele acreditou? Claro que não. Sorte que mais pra frente tinha uma placa BR-383. Ele voltou. Mas não parou por aí.

Voltamos pra São João del Rei e ele me vira numa rua que indicava “Tiradentes” apesar de eu ter certeza de que não era por ali o acesso à BR-265. E eis que finalmente surge um marco da Estrada Real. Conhecem? Pois é, eu conheço, e não achei foto agora na internet. Virei pro alemão: “Segue por aqui”, e ele, ainda sem confiar em mim, é claro, “Mas…”, “Sem mas, Hans! Vambora!”

01
Out
08

Rosa dos ventos

Tenho razoável memória para caminhos já percorridos e boa orientação de norte-sul-leste-oeste. Eu sei o lado que o sol nasce e o lado em que ele se põe. Sei para que lado o sol fica inclinado no inverno pelo fato de estarmos no hemisfério sul. Conheço um pouco o desenho básico do céu. Direita e esquerda são lugares para onde o meu corpo vai, e como eu troco as palavras, troco os números, confio mais nas minhas mãos do que nas minhas palavras. Me dou bem com mapas, e agora com o Google Earth e Google Maps, toda vez que me meto em alguma encrenca fora do lugar onde estou vou lá conferir as curvas e esquinas por onde andarei.

Eu às vezes encasqueto com um determinado local e não sossego enquanto não o encontro. Sempre que eu voltava para casa de ônibus, aqui na terra do pão de queijo, eu avistava umas ruas iluminadas, por entre terrenos vazios, nuns montes atrás do bairro onde moro. Um dia peguei o carro e subi nas ladeiras ao redor. E subia, subia, subia e não encontrava as ruas. De repente, cheguei a um despenhadeiro e vi as tais ruas lá em baixo. Aí fui convencida de que o acesso não era por ali, apesar dos locais serem bem próximos. Naquele dia voltei para casa quando já passava da meia-noite. Mas encontrei as ruas, desfiz o mistério. Eram ruas de um condomínio novo, cujos lotes ainda estão à venda.

Ali era uma busca de um local desconhecido. Mas não houve um mês, desde que eu vim para cá, que eu não tenha me perdido em algum lugar, de carro ou a pé, precisando chegar a um destino certo. Culpa sempre das ruas de mão única. Mas ao final, eu sempre encontro. Ainda que passe horas perdida nos caminhos, eu sempre chego onde tenho que chegar. E quando tudo parece muito confuso, eu respiro fundo e olho para o céu. Porque nele, sempre tudo organizado da mesma maneira.