Um dia, Artur estava caçando na floresta, quando foi surpreendido por um homem armado com uma clava. O homem pretendia vingar-se de Artur, por ter sido lesado em seu patrimônio. Artur, estando desarmado, ficou a sua mercê. Vendo-o indefeso, o homem decidiu-lhe dar uma oportunidade, trazendo a resposta para a seguinte questão: O que as mulheres amam acima de tudo?
Durante longos meses, Artur percorreu o país recolhendo respostas de toda espécie. Quando o prazo se esgotou, ele voltou à floresta, à procura do homem com a clava. Enquanto tentava localizar o lugar em que o havia encontrado no ano anterior, uma horrenda mulher aproximou-se e lhe disse: Eu conheço tua missão e posso te garantir que todas as respostas que tu conseguiste são ruins. Eu sou a única a saber a verdadeira resposta, mas só posso revelá-la se tu prometeres me desposar.
O rei hesitou, mas acabou aceitando a proposta, na esperança de que algo acontecesse e lhe permitisse livrar-se do combinado. A mulher então lhe disse: O que as mulheres amam acima de tudo é a Soberania. Diga isto a teu inimigo e ele amaldiçoará aquela que te instruiu.
Artur seguiu caminho e encontrou o homem com a clava. Ele começou dando as respostas que havia recolhido. Nenhuma foi considerada a boa resposta. Artur então lhe disse: É a Soberania. O homem com a clava começou a gritar enraivecido: Não há dúvida, foi minha irmã quem te instruiu. Eu gostaria de vê-la arder no fogo! Mas como Artur cumpriu o que lhe foi pedido, o homem o deixou partir.
Entretanto, a horrenda mulher logo apareceu e cobrou a promessa feita. Com a morte na alma, Artur voltou à corte e mandou celebrar o casamento.
À noite, ele deitou-se a seu lado e imediatamente lhe deu as costas. A mulher, carinhosamente, pediu-lhe: Dê-me pelo menos um beijo, por cortesia. Artur voltou-se a fim de atender ao pedido. Ao seu lado estava a mulher mais bela que ele já havia visto em toda a sua vida. A desconhecida, então, lhe disse: Você pode escolher: me ter bela à noite e horrenda de dia, ou ao contrário. Artur achou que a escolha era muito difícil e deixou que ela mesma resolvesse o que preferia. Ela então respondeu: Você me terá bela de noite e de dia. Minha madrasta, por magia, me reduziu a esta forma repugnante e eu só me retornaria à forma normal se o rei mais poderoso do mundo me desposasse e me concedesse Soberania em tudo.
Entenderam, certo?
OBS: este conto é proveniente da Bretanha, uma das regiões habitadas pelos povos celtas.