A foto a mostrava bem, bela atrás das grades, sorriso sincero àquele que captava a sua imagem. Há muito tinha se entregue, aos poucos tornado-se prisioneira, refém das milhares de imagens suas que ele colecionava. Era completa para suas fantasias, a todo tempo, a cada clique, desempenhando seu papel de musa, mulher, amante. Mas sua total submissão às lentes era apenas o artifício pelo qual exercia seu real poder – fascinava-o com a sua beleza e, assim, o mantinha verdadeiro prisioneiro de suas vontades mais urgentes.
Arquivo para Janeiro, 2009
“está presa… agora é tarde…”
Acontece.
No dia em que eu disse que a natureza conspirava a meu favor, você lembra bem o que aconteceu, né? Uma folha despencou lá de cima de uma palmeira do bosque do Imperador e fez um estrago na pintura do teu carro. Acontece. Você sabe que sou assim. Eu não sujo as mãos. Tanto tempo e meu lado B, que não deveria mais ser B depois de tanto tempo, ainda te surpreende. Engraçado isso. Mas também tua elouquencia ainda me faz tremer as pernas. Você custaria a acreditar se naquele ímpeto de fúria que tive você sabe bem porque, eu ateasse fogo naquele buraco e pusesse a culpa nas velas e no exageros diários daquele pobre diabo, mas se a natureza tivesse conspirado a meu favor (e tenho certeza que não foi assim porque a resposta seria muito superior à ofensa, e nisto, pelo menos, ela é justa), você lembraria que tenho as costas aquecidas pelo lado mais perverso do universo e teria certeza que o ocorrido era por minha causa. Não, eu não desejo essas coisas. Tudo isto está bem longe da minha inteligência e da minha compreensão. Minha paciência comumente é confundida com frieza e maldade. Pode ser. Mas não desejo, apenas deixo que o mundo faça o que achar melhor. É que certas ofensas, ainda que pequenas, mínimas, doem tanto, tanto, tanto, que só algo grandioso é capaz de dar a resposta adequada sem os exageros ridículos da paixão humana. Não que alguns bons arranhões causados na pintura do teu carro por uma enorme folha de palmeira despencada de uns 15 metros tenha sido um problema relevante na tua vida. Mas aquele dia você soube que o universo não dorme.
TRUE romance
Acordei no meio do filme: “perdi uma parte, faz uma cópia pra mim pra eu ver tudo de novo depois?” “Claro, Maria.” E ganhei uma cópia com dedicatória (!) ”para a maria, com carinho”.
Férias de verão com La Niña tem que ter sessão de filme debaixo das cobertas , e lembramos de True Romance – ou Amor à Queima Roupa - que eu já tinha visto há tanto tempo que nem lembrava mais.
O filme é de 93 e o roteiro é do Tarantino, daí vocês podem imaginar o naipe da história. Na minha classificação, e eu sempre penso que tudo depende de como você encara as coisas, eu diria que o filme é uma “comédia romântica” – já que trata de amor-paixão e a todo tempo você dá risada com a crueza dos personagens, fantásticos, por sinal.
Vejam, ou revejam, o filme. É ótimo. Ah, e eu dormi porque estava cansadinha da maratona turística que tinha rolado durante o dia, o filme está longe de ser entediante!
Já faz tempo que penso na morte do CD. Isso já quase virou poste uma vez, e voltei a pensar nisto essa semana. Um CD, ou seu antecessor LP, até um tempo atrás era um presente legal. Mais legal ainda porque cabia nele dedicatória, podendo suas músicas compor a trilha sonora de um namoro, um momento, uma amizade.
Lembro bem quando isto bateu na minha cabeça pela primeira vez: como moro na terra da chuva e do frio, com mofo sempre presente, resolvi levar os LP’s antigos para o sítio, e no meio de tudo aquilo encontrei um compacto (lembram, aquele de uma ou duas músicas de cada lado?), da Blitz, com a música “Você não soube me amar”, que meu tio deu à minha tia no início do namoro deles, com dedicatória e tudo. Resolvi devolver o disco, pois era uma recordação que, se fosse minha, gostaria de guardar. E ele achou legal só pela capa, porque, pela música… tão fácil baixar…
O boom causado quando a música “caiu na rede” (sem aqui entrar no mérito da vantagem ou desvantagem disto) fez desaparecer o “CD presente” – a não ser, é claro, os clássicos raridades e as seleções de músicas baixadas, que Rodrigo até fez uma pra mim num aniversário meu, cheia de músicas comédias e outras que cantávamos juntos. E às vezes penso que gostaria sim de ganhar um CD de presente, com dedicatória e tudo. É legal isso. Livros, ainda permitem o artifício, ainda que não sejam tão “sentimentais” quanto uma trilha sonora. DVDs também.
E por falar em DVD, assisti a um filme nesta semana, coisa antiga, coisa muito boa, assunto para o próximo poste, para não misturar tudo por aqui.
O homem que me leva pro mar
Me acenava de dentro da água, mas o medo de entrar no mar me paralizava. Insistiu e se aproximou, como se viesse para me buscar. Dei alguns passos e o alcancei. “Vamos para depois da arrebentação. Não precisa ter medo, eu seguro você. Se a onda quebrar é só mergulhar, ok?” Eu fui. Um quase pânico quis se apossar de mim, mas eu não deixei. Para ele, eu tentava fingir que estava tudo bem mas antes que ele pudesse perceber, me segurava na cintura e me puxava para cima nas ondas mais altas. Mais uns minutos e eu já conseguia sorrir sem ser nervosismo. E mais um pouco, fui tomada por uma sutil sensação de segurança, uma mistura da presença dele ao meu lado com o entendimento que eu conseguia, aos poucos, voltar a ter com o mar.
Egoísta
É que tem horas que eu, definitivamente, não quero dividir nada com ninguém.
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Pessoas, este humilde estabelecimento ainda funciona. Mas a cabecinha da dona tá ocupada com outras coisas!
A imprensa irresponsável
Hoje pela manhã uma amiga me respondeu a um e-mail em que eu contava um determinado fato curioso ocorrido comigo e as palavras que ela usou para comparar a situação são velhas conhecidas de vocês: é igual a notícia no jornal: tragédia e escândalo sai grandão na primeira página, coisas boas, sai numa notinha bem pequenininha. As palavras dela cairam como uma luva para o fato que eu tinha relatado no e-mail. E, de certa forma, foram um presságio… e encontro uma boa historinha para começar o período que vem na faculdade de comunicação!
Acabo de ler no jornal O Globo (online) a notícia de que o Conselho Regional de Medicina e o Ministério Público, ambos do Estado São Paulo, investigam denúncias contra o médico Roger Abdelmassih, profissional especializado em fertilização, com mais de 40 anos de profissão, por suposta prática de abuso sexual contra pacientes. Na notícia, consta que foram cerca de 8 pacientes que comunicaram terem sofrido abuso.
Agora, meus questionamentos:
1) Ainda que o jornal tenha escrito “suposta” prática de abuso, o que fica evidente é claro que é o “abuso” e não o “suposta”.
2) Que necessidade há do país inteiro saber disso? Uma pessoa com 40 anos de profissão merece algum crédito, não? Existe realmente, por parte do jornal, necessidade de informar, neste caso?
3) Aonde esta imprensa sensacionalista vai parar? A posição do jornal, no caso, ao meu ver, é sensacionalista e completamente desnecessária. Estão confundindo ausência de sigilo com “possibilidade de publicação a qualquer preço”.
Torço para que, ao final, se o médico for considerado inocente nesta história, ele ganhe um bom de um trocado processando o jornal. E que saia uma nota de retratação bem grande e espalhafatosa, do jeito que foi a ofensa.
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Não se espantem com estas postagens seguidas que quebram completamente o ritmo do blog. São as férias que me deixam mais disponível nos momentos em que fujo do sol ou da chuva. Mas em breve estarei viajando e, creio eu, fazendo coisa bem melhor do que escrever!
Triste
Ontem, eu e Rodrigo (aquele que jura que tem um poste pronto pra vocês), não sei bem porque, nos lembramos de uma menina, que vou aqui chamar de Paula, que cursou conosco o primeiro período da faculdade, e que tem uma história triste.
Paula era uma menina bem bonita, chiquesinha, transadinha, patricinha, toda inha, e tinha um charme que deixava os marmanjos nas varandas da Universidade todos de queixo caído. Aquele tipo de mulher que abre alas por onde passa. Éramos pós-adolescentes e ela, uma deusa. Um belo dia, um entregador interrompeu a aula com uma encomenda para Paula: um buquê com umas três dúzias de rosas vermelhas que deixou o resto da mulherada, da Lu, que tinha 16 anos na época (era a mais nova e a mais alta da turma) à Maria José, que já era avó de marmanjo, se roendo de inveja! Mais tarde, ficamos sabendo que ela mesma tinha enviado o tal buquê para si.
Triste, né? E ela nem precisava disso.
Aí pensei: imaginem se eu comentasse como fake no meu próprio blog, me bajulando… eu hein, não gosto nem de pensar…
Poste sem qualquer programação. Acabei de ler uma historinha lá no blog da Kátia Flávia, mas a loira põe o doce na nossa frente e tira. Publica sem espaço pra comentar – e como eu não vou comentar o que ela escreveu lá? COMO??? Então, por partes:
1) Palavras da moça: “Quando cheguei lá, entendi porque os gringos abandonam suas vidas perfeitas em países frios e bem sucedidos para vir para cá. ” Sim, é isso mesmo. E ela ainda escreve mais, passem lá para ler. Por isto também fiz um poste me declarando ao Rio de Janeiro. É o lugar mais fascinante, sedutor e apaixonante do mundo.
2) O Rio nunca é longe. Aliás, prefiro pensar que lugar nenhum é longe. Na verdade, quando eu quero muito uma coisa, nem penso em distância. Mas sei que é fácil falar quando o Rio está ali a apenas 75km, ou 1 hora sem engarrafamento.
3) Homens cariocas: sim, são bons. Como são! Mas por razões óbvias, a mim não me enganam mais. Principalmente cariocas, músicos e tatuados!
4) Ypióca, menina? Ypióca??? Já derrubei um marmanjo tomando Ypióca. Prefiro não comentar. Pretendo não repetir.
5) Eu também sirvo pra me apaixonar. Acho que meu chip foi programado pra isso e o manual foi queimado.
Reveillon com começo, meio e fim
Parte I: O COMEÇO – ou “a historinha que prometi aos leitores” – ou “o último momento bizarro de 2008″- 29 e 30/12/2008
Tinha que ter historinha bizarra pra fechar o ano, não? Olhem a situação: saio eu da terra da chuva e do frio rumo ao meu Rio de Janeiro amado para passar o reveillon. Mas eu Amélia tenho mania de orquestrar compromissos com diversão: viajo pra diversão encaixando compromissos e sempre encaixo diversão quando a viagem é pra compromisso. E desta vez resolvi resolver um registro de uma arma na superintendência da Polícia Federal, no centro do Rio, ainda em 2008 (tá que o Rio é ali do lado e o prazo só termina em março, mas tenho sempre que complicar tudo). Cheguei lá, uma fila quilométrica às duas da tarde. Aquele calor infernal e a poeira dos ônibus que vêm da Praça Mauá. Me limitei a perguntar a que horas o setor abriria na manhã seguinte. Oito horas. Ok. Dia seguinte, a bonita lá, documentos na mão, pronta pra cumprir seu dever de recadastrar a dita cuja. Modelito: roupa de criança. Saia jeans larguinha, comprimento pelo joelho, camisetinha e sandália rasteira. Bolsa de pano com florzinha. ”Super” Maria. Única. Única mulher na fila. Me encolhi o máximo que consegui para sobreviver no lugar. Os olhares eram de “que diabos essa ‘criança’ tá fazendo nesta fila?” Quando cheguei ao cadastro para entrar no prédio e recebi o crachá cinza de adEvogado, a situação passou de semblantes desconfiados para conversa fiada: Então, conseguiu fazer o registro provisório na internet? Sim, normal. Pois é, eu não. Que coisa, né? Que arma é? Arma X. Calibre? Y. Anh… atira há muito tempo? É, mas não curto muito não. Nossa, uma menina como você, nunca poderia imaginar que fosse advogada e que tivesse uma arma, blá, blá, blá… o fato é que os sujeitos em pleno 2008 sinceramente se espantavam com o fato de uma mulher ter uma arma. Obviamente um me perguntou se a arma era de minha propriedade, ou se estava ali por alguém. O que respondi não interessa aqui. Mas, neste momento, tive a última lição de 2008: ainda há e sempre haverá o clube do Bolinha e o clube da Luluzinha. E as armas, pelo visto, são para eles. Conformemo-nos.
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Parte II: O MEIO – Forte de São João, Urca, Rio de Janeiro – 31/12/2008 e 01/01/2009
O motorista que nos levou para a festa só sabia o caminho do aterro e eu Amélia tive que me virar guiando o cara pelo Flamengo e Botafogo pra chegarmos ao destino. É claro, se não me perco não sou eu Maria. Um vai e vem de 10 minutos, mais engarrafamento de 30 que valeram a pena. A melhor festa de reveillon da vida. Companhia de amigas de infância. Bebida gelada que não acabou. Uma praia linda praticamente só pra festa e eu me arrependendo muito de não ter levado outra roupa para poder me jogar inteira no mar (mar tranquilo, povo!). E o Rio de Janeiro, né? Vamos combinar, só lá não é pecado dançar funk até o chão, sambar descalço, cantar o hino do time, do outro time, do outro e daquele outro (aliás, agora que o Tigres subiu pra primeira, preciso aprender o hino)… só lá se canta hino de time em qualquer ocasião… só lá desconhecido a quem você faz um favor, como ceder lugar na fila do banheiro ou pegar uma fruta no buffet te agradece com um abraço sincero e um “feliz ano novo”… só lá o pedido de paz inunda a cabeça de uma tal maneira que quase não deixa espaço para os outros. Pedimos paz para podermos estar lá mais uma vez. Pois é, esqueci (ou a bebida me esqueceu) de que não acredito em ano-novo e fiz montão de pedidos, pulei 20 ondas (tão legal, não sei porque só pulam 7), e tudo isso de calcinha nova, é claro. Meta para 2009: levar mais amigos pra festa. Teve gente que fez falta. Sabe, aqueles amigos festeiros? Pois é… minhas amigas disseram a mesma coisa. Ano que vem, se formos novamente pra esta festa, vamos arrastar mais gente! E você que nunca passou um reveillon no Rio tá esperando O QUÊ? Eu dar o endereço da festa? Lá no fim do poste.
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Parte III: O FIM – Festa da calcinha – 02 e 03/01/2009
Claro que o prosecco que seria aberto no dia 31 antes de sairmos pra festa ficou na geladeira porque a gente se atrasou com cabelo, modelito, maquiagem. E claro que dia 01 havia a tal ressaca e ninguém conseguia olhar para nada dentro de um copo que não fosse água. No máximo um mate. Dia 02, depois da praia, três amigas de infância dentro de um apartamento, fofocando até não poder mais, principalmente sobre o passado, o colégio, os peguetes, quem saiu com quem que beijou quem que traiu quem, quem reprovou, quem foi expulso, quem se deu bem. Uma enciclopédia de histórias. Três amigas de infância, três mulheres tão diferentes, com gostos tão diferentes, com vidas tão diferentes, com jeitos tão diferentes, naquele momento em nada se pareciam com as tais de Sex and the City. Eternas meninas de portão de escola, abriram aquela garrafa de prosecco e tiveram a primeira lição do ano: amizade é isso. É ficar longe um tempão e, num reveillon qualquer, se encontrar e ver que o sentimento permanece.
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Felicidades a vocês!
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Este poste foi patrocinado por……. mentira, ninguém patrocinou nada não. Mas não posso deixar de dar os créditos da festa: o pessoal da Noite Provisória simplesmente arrasou.