Arquivo para Fevereiro, 2009

26
Fev
09

“Há um caso diferente que marcou num breve tempo meu coração para sempre”

Muito mais que amante e cúmplice eu era espectadora de suas histórias, incansável, ávida, sempre sentada na primeira fila. Aqueles momentos em que descansávamos nus, entregues e despretensiosos, jamais sairão da minha memória porque eu olhava para o teto imaginando as coisas que ele me contava, e assim criei histórias minhas e dele dentro da minha cabeça, onde as personagens principais eram infinitas mulheres. Lembro-me que por muitas vezes ele se desvencilhava dos meus braços e quase num salto, se ajoelhava nu na cama, gesticulava, interpretando, e me arrancava risadas, e outras ajeitava o lençol no meu corpo, moldando o figurino de uma de suas personagens e me fitava. Causava em mim uma timidez que fazia com que poucos segundos durassem uma eternidade. Numa ocasião, surgiu como trilha sonora do momento, dessas músicas que entram pela janela vindas não se sabe de onde, Foi um rio que passou em minha vida. Ele cantarolou um ou dois versos e seu semblante mudou completamente, não precisei perguntar, ele emendou: nunca vou me esquecer dela. Falava de Clara Nunes, numa apresentação na quadra da Portela, num ano em que eu ainda sonhava em nascer. Ela não era bonita, era magnética. Te lembra dela? Clara Nunes morrera eu ainda era pequena. Era dessas mulheres inalcançáveis e etéreas, como Clara Nunes magnética presente em sua memória como eterna musa do samba, que eu tinha ódio. Tanto que o beijei com raiva e o comi com intenção de me marcar em sua memória como inalcançável e etérea. Tenho certeza, consegui.

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Carnaval que termina, ano que começa, inspiração que volta. E que fique!

26
Fev
09

A Furiosa

logo-salgueiro1

Hoje, não consigo pensar em mais nada!

21
Fev
09

Retrospectiva por acaso

Engraçado… sentei aqui pra dar uma conferida nos horários dos blocos, dei uma viajada, abri o blog e, não sei porque,  fui rever meus postes de fevereiro do ano passado. Nesta mesma época, já tinha passado o carnaval, eu passei por um momento muito muito sofrido, situação que merecia um fim, e teve esse fim, num processo que se iniciou no dia 20 de fevereiro e terminou no dia7 de março. E num dos postes onde toco de leve no assunto, coloco uma citação de Drummond, da qual nem lembrava, mas cuja filosofia é, e sempre foi, presente na minha vida. Assim como não lembrava dela, não lembrava do sofrimento da época. Dele, não falo mais, mas ela, merece voltar pra cá:

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.
(Carlos Drummond de Andrade)

19
Fev
09

Quase tudo

Quase uma reedição de poste, voltar a falar agora sobre o livro Quase Tudo, da Danuza Leão, tem vários motivos: o primeiro é que só consigo pensar em carnaval – ou melhor, não consigo pensar em nada porque já é carnaval para mim; e o segundo é uma outra biografia fantástica que estou lendo agora e que me fez relembrar a Danuza. Mas sobre esta, só depois do carnaval.

quasetudoQuase tudo é um livro de memórias. Ela mesmo escreve sobre episódios da sua vida, os mais importantes, sem ter aquele peso que eu sempre acho que as biografias têm – excesso de sofrimentos, altos e baixos, escândalos, essas coisas. Danuza, exceto pelo grande sofrimento da perda de um filho, não teve esses altos e baixos que fazem vender biografias. Tampouco rendeu muitos escândalos. Ela simplesmente viveu despretensiosamente. E assim, ao acaso, esteve presente como espectadora em vários acontecimentos relevantes na cultura e na política brasileira.

Foi um livro que li de uma vez só e quando cheguei ao final, imaginei um filme. Dois segundos depois pensei que se eu fizesse um filme baseado no livro, iam dizer que eu tinha copiado o Forrest Gump. Danuza foi um Forrest Gump de verdade.

Dispam-se de qualquer preconceito a respeito da “socialite” e leiam a história. Leve, curiosa, engraçada. Fascinante.

17
Fev
09

Amélia que era mulher (quase) de verdade…

editada

14
Fev
09

Nostalgia hippie

When the moon is in the seventh house

and Jupiter aligns with Mars

Then peace will guide the planets

and love will steer the stars!

mapa14fev

A tal situação astral se dá hoje. Feliz Era de Aquário pra vocês, pessoas. Seja lá que p… isto signifique!

13
Fev
09

Festa

despedida-da-ju-no-moro-da-urca-118Daqui a menos de um mês, outra festa à fantasia.

(tem um baile no domingo de carnaval, mas este não conta)

Façam suas apostas, dêem seus palpites ou sugestões. Espanhola, chinesa, chapeuzinho vermelho, hippie e Frida Kahlo estão de fora. Princesas da Disney também. Fantasias típicas carnavalescas, idem.

08
Fev
09

Top five da fossa

Não estou nem acreditando que estou publicando uma lista.  Coisa mais sem noção para quem detesta catalogar, classificar e preferir! Ainda mais uma lista de música de fossa. É que eu não curto dor de cotovelo ouvindo música – acho uma tortura sem tamanho. Mas quando algumas músicas tocam, as lágrimas são inevitáveis. As quatro primeiras tiveram este efeito. A última é retroativa!

BlackPearl Jam – muita gente chorou ouvindo isso. Eu tinha 15, 16 anos e chorei por algo ouvindo Black. Algo que não sei se foi amor, mas que gerou boas lembranças e alguns aprendizados que ficaram pro resto da vida!

Wish you were herePink Floyd – eu chorei muito com esta música, e há ainda algo lá dentro que revira quando eu a escuto. Marcou um amor infantil que se instalou num cantinho do coração e se transformou em algo imenso e maravilhoso que hoje eu não saberia em que categoria classificar.

Nessun dormada ópera Turandot, de Puccini - não posso dar muitas explicações sobre o porquê desta música estar aqui. Uma dica: ouça a ária, deixe a música invadir você, e depois volta aqui pra me contar a experiência.

QueixaCaetano Veloso – esta foi trilha sonora de términos de diversos casos mal resolvidos que tive ao longo da vida – “você pega e despreza”, “quando torna-se mágoa”, “ondas, desejos de vingança”, e mais um monte versos repletos de imenso despeito, fazem com que ela seja bem adequada a estas fossas repentinas que não duram mais que uma semana.

Você pediu e eu já vou daqui - Nando Reis – o coração vai bem, obrigada, e a gente sempre prefere não chorar por amor. Por isto digo que ela é retroativa – é uma música antiga que eu conheci há umas duas semanas e que entra para a lista por ter uma estrofe cheia de orgulho que tem tudo a ver comigo: “e quando um dia isso acontecer / de você querer voltar pra mim / o meu perdão eu vou saber lhe dar / e jamais eu direi, que um dia / você conseguiu me magoar”. Sem dúvida é uma excelente música para curtir uma bela dor de cotovelo.

04
Fev
09

Precisamos falar sobre o Kevin

kevinÉ o título do livro escrito por Lionel Shriver, que eu terminei de ler em outubro passado. Depois que comecei o blog, praticamente todo os livros por mim lidos vieram a ser comentados aqui, exceto a minha literatura específica de trabalho. Mas este… bem, este demorou um tempo para ser digerido. Não faz muito tempo a Louise falou sobre ele, e eu disse a ela que não tinha conseguido comentá-lo. E creio que ainda não consigo… uma mulher incomum, um filho incomum… perfeita fórmula para uma grande tragédia.

Tecnicamente falando, o livro é escrito em cartas, um estilo que não me agrada nem um pouco e, a narradora, a própria mãe do Kevin, é meio entediante; e também porque faz parte do livro uma crítica ao american way of life, que nós tupiniquetes que nunca moramos do lado de cima da América não conseguimos compreender muito bem. Mas o aspecto psicológico da família de Kevin é abordado de forma tão peculiar que ninguém desiste tão fácil do livro.

No mais, longe de constar na lista dos meus livros favoritos, é uma história que merece ser lida. Principalmente por aqueles que curtem perversidade no mais alto grau.