Arquivo para Maio, 2009

27
Mai
09

toda possibilidade

Uma tarde de verão em pleno fim de maio. Um livro de contos de um autor argentino. Uma lembrança. Se eu fosse romântica eu chamaria de armadilhas do universo que me pegam desprevenida em cada esquina. Como cética, digo apenas que sim, tenho pensado muito em você. E creio que não seja para ser diferente. A ansiedade corrói estes dias que se arrastam, e eu nos vejo nas entrelinhas de escritos alheios aqui, acolá e em palavras de contista argentino, porque meu pensamento de você não me abandona.

E não nos tratávamos como desconhecidos, mas como pessoas que se conhecem já há muito tempo, e para as quais não existem segredos, porque a nudez da alma tornou visivel toda possibilidade.*

Éramos isto. Éramos almas nuas naquela tarde de verão em pleno fim de outubro. E hoje, nesta tarde de verão em pleno fim de maio, finalmente consegui traduzir o meu querer naquela outra, gozada em terras inconfidentes, com palavras de um contista argentino: toda possibilidade.

.

* O contista argentino é Roberto Arlt, o livro é a coletânea As Feras,  o trecho foi extraído do conto Ester Primavera, tradução de Sérgio Molina.

24
Mai
09

Você mentiu pra mim!

Episódio 1 – um show num bar.

- Que coinciência nos encontrarmos novamente, não é?

- Hein?

- Nos vimos ontem, hoje de novo…

- Hã? Não estou ouvindo.

- Pena que hoje eu estou acompanhado, senão ficaria aqui dançando com você.

- … (ela aponta para a orelha e gesticula para ele entender que era impossível escutá-lo).

Episódio 2 – mesmo bar, outro show.

- Hoje eu não estou acompanhado.

- … (ela olha para ele com uma cara de “e eu com isso?”)

- Mas ouvi dizer que você está…

- … (ela espreme os lábios como quem diz “fazer o que?”)

- Acontece. Dias melhores virão.

(ela respira fundo e segura o riso)

Mais tarde, ela dançando com os amigos na frente do palco, ele passa e diz:

- Você mentiu para mim!

.

Moral da história: pena da falta de autocensura alheia.

19
Mai
09

garota de ipanema – um texto com saudades do rio

Esquina de Garcia D’Ávila com Barão da Torre, ela olha pela janela e vê caindo do céu algo que não sabe se diz chuvisco ou neblina. Se espicha para sentir com a mão – está entre uma coisa e outra – a primavera no Rio é às vezes assim, quase fria, quase molhada. Fecha a janela e olha pro cachorro largado no cantinho do quarto, olhando para ela com cara de hoje não tem passeio. Pois é, Filé, hoje não tem passeio. Desce sem Filé mesmo para sentir o fim da tarde. Ipanema engarrafada. Caos. A tira de malha colorida disfarça o despenteado e até combina com todas aquelas luzes refletidas pelo caminho. Compra o jornal de amanhã, cumprimenta os porteiros. Um café com aquele vizinho do 5.º andar do prédio da Farme de quando era criança – não se viam há tanto tempo. Um convite, brilho nos olhos. O Rio é às vezes assim, quase interior. E ela volta para casa curtindo aquele clima atípico mas tão Rio quanto o Rio dos cartões postais.

18
Mai
09

pinceladas musicais do fim de semana

Estou aqui já amargando saudades de Armação dos Búzios. Não mereço não morar naquele lugar. Acabo de chegar de um encontro de uma turma autodenominada peronautas (referência à praia do Peró, em Cabo Frio, RJ), da qual sou agregada, com a cabeça fervilhando de várias lembranças. Como isso aqui não é um diário, detalhes sobre a viagem eu fico devendo, e deixo pra vocês duas músicas que marcaram o fim de semana.

A primeira foi a trilha da viagem – ainda não tinha ouvido falar de Maurício Baia (quem sabe um dia Rodrigo, peronauta legítimo, volte aqui e fale melhor sobre ele), mas já tinha tido contato com essa música deliciosa, que tem uma batidinha quase brega, mas genial: Lembrei.

Quis não ter querer, pra mim, é a frase da música.

A outra foi um achado na memória dos tocadores de viola, nostalgia total, classificada pelos próprios como “música de corno adolescente” – que são tocadas quando o eu-etílico se aflora, arrancando de todos boas risadas. Dominó,  Com todos menos comigo (vídeo aqui, participação nos Trapalhões):

Vai por aí com uns e com outros
E passa por mim
Faz pouco de mim
Anda muito bem
Com todos menos comigo

Seus olhos são
São verdes bofetadas
No meu coração
Me dizem que não
E vai por aí
Com todos menos comigo

E gosta de rir diante de mim
Representa o papel de sereia feliz
(diz que essa frase não é o ápice!)
E perde seu controle
Com todos menos comigo

Já cheguei a pensar
Mais de uma vez
Me fazer infeliz te provoca prazer
Dizer que faz amor
Com todos menos comigo

Mas hoje eu sei que dentro de mim
Tem um lance do amor
Que não tem mais fim
Isso acaba mal
Com todos menos comigo

Nunca diga jamais
Pra não errar
Essa história de amor bem que pode virar
E você vai ficar
Com todos menos comigo

14
Mai
09

Uma imagem é uma imagem é uma imagem

Ao responder aos comentários sobre o poste aí de baixo, Coffee shop, o meu tomou vida própria e agora está aqui, onde poderei falar mais e mais e mais.

Uma imagem é apenas uma imagem. É?

A história da foto: temos R., amiga irreverente, pessoa extraordinária, fumante incorrigível. Tanto que seu médico resolveu que seria melhor convencê-la a fumar os cigarros de palha do que abandonar os comuns. Conseguiu. Os de palha enquanto fumados precisam ser reacendidos a todo momento e, com isso, a pessoa se distrai com o cigarro apagado entre os dedos e fuma menos. Antes era quase um maço a cada saída. Hoje, uns três cigarros. R. hoje mora na serra, mas é nascida e criada no posto 9 em Ipanema. Sabem o que é o posto 9, certo? Pra quem não sabe, é lá onde rola a famosa “marcha da maconha”, onde o povo apita pra avisar que a polícia está chegando. Na mesma Ipanema, R. passou a vida numa rede de volei (até hoje não entendo como ela fuma tanto). Juntando a história de R., um cigarro que é enroladinho artesanalmente, uma turma de gente comédia de  e um fotógrafo abusado, o que saiu foi foto de um monte de gente fingindo estar puxando unzinho. E não foi fácil. Só minhas o Bruno W. bateu umas 5 até conseguir a “realidade coffeeshopeana” que esperávamos.

O destino da foto: e finalmente Bruno W. apareceu com as fotos deste dia. Devidamente captadas, vi que o orkut não seria o melhor destino para esta que veio parar aqui no blog porque, como dizia Tiopaulão, gente descalça na área. Então trouxe a foto pra cá, já sabendo que ia provocar alguma reação, mas sendo, a priori, apenas uma foto.

O mais curioso é que para mim esta imagem é apenas uma imagem e, provavelmente, pra muita gente que passou por aqui não é.

E para que fique sepultada qualquer dúvida a respeito do que ingere ou não esta criatura que vos fala, digo a vocês que meu nível de caretice é bem alto, diferente do que no post pode parecer (e por isto mesmo foi postado na categoria Realidade Virtual). Não vou dizer o que faço ou o que não faço, que não é da conta de ninguém, mas só a título de parâmetro, sinto muita culpa quando como qualquer coisa que leve glutamato monossódico e nicotina foi a pior droga que já usei e da qual, por um milagre talvez, me afastei. Com ela tenho que manter sempre os dois olhos bem abertos.

Tenho minhas opiniões a respeito do “legalize qualquer merda”, mas aprendi que não vale a pena expô-las. Sabe por que? Eu levava pedrada de todo lado sem nem ter interesse na causa. Então hoje me reservo no direito de não dar opinião. Consequentemente, a foto não representa nenhuma bandeira.

Concluindo: não, uma imagem jamais será apenas uma imagem.

E agora, em resposta aos comentários:

Mirian, eu também acho.

Altamir, imagino o tanto de interpretação que passou por esta cabeça!

Louise, vc acha mesmo que se eu tivesse ido a Amsterdam eu teria colocado uma foto aqui fumando maconha num coffee shop?

Renata, eu também. Por isso ela veio parar aqui.

Gustavão, como o Sr. já soube de antemão, ainda bem que não gostou. Sua opinião por aqui é deveras importante.

13
Mai
09

inacabado…

ainda em mudanças… algumas coisas no outro layout não estavam agradando… vamos ver este, sugestão da srta. bem à vontade… foto na testeira só quando eu voltar pra terra da chuva e do frio!

12
Mai
09

Coffee shop

cervejota 05

Amsterdam, abril/2009.

By Bruno W.

10
Mai
09

Groupie

Foi lá pelos idos de 93, 94, que ganhamos as madrugadas sem lei. A noite de Itaipava era de uma precariedade charmosa ao extremo, e combinava bem com o visual grunge que a galera adotava na época, assim como com a pouca verba adolescente. Era destino certo das noites de sábado na época em que aqui fazia muito mais frio do que faz. O principal ponto da galera era bar/restaurante de crepes (que existe até hoje – completamente reconfigurado e, como diz uma das donas, evoluído) que na parte de trás tinha um palco improvisado onde os melhores músicos da cidade se fizeram conhecidos e amados por todos. Era o palco, o frio e a fogueira, onde vários tocadores assíduos de viola também se fizeram amados e conhecidos, que levavam a noite até as 5 da manhã. E tome camel (cachaça com mel, vendida, na época, à equivalência de R$ 1,00) para esquentar as gargantas.

E assim foi que o blues impregnou a existência dos que viveram aquelas noites, junto com outros sons, The Doors, Janis Joplin, Led Zeppelin, Pink Floyd e, é claro, afinal, era a época deles, Nirvana e Pearl Jam. Depois todo mundo ia junto para o ponto de ônibus mais próximo esperar pelo corujão, que naquela época não tinha perigo (e eu continuo achando que até hoje não tem tanto assim… mas os adolescentes foram banidos das madrugadas por algum juiz da infância mal humorado).

Uma das bandas desta época tornou-se a nossa favorita, não sei exatamente se pelo som que faziam ou se pela quantidade de shows, e por mais de um ano teve uma galera que conseguiu ir a todos os shows dos caras – e eu fazia parte desse grupo! Sabíamos o repertório de cor, valendo interpretar as backing vocals em Mustang Sally – ride, Sally, ride – e tendo certeza que nenhum show terminava sem tocar Wish You Were Here. Falo sem saudosismo porque vivi cada minuto daquelas madrugadas.

Para você que não viu The Commitments:

E ontem, caçando o que fazer na boa e velha Itaipava, show da banda no bar/restaurante evoluído! Boa supresa – faz um tempinho, esses músicos resolveram se reunir para alguns shows. Foi bom para recordar, embora eu sempre tenha uma certa nostalgia da precariedade da fogueira. Lugar cheio, som impecável. Só não fiquei para ver se tocou Wish You Were Here. Não sou mais uma adolescente, agora o restaurante tem comanda e a fila para pagar, quando o show termina, estraga o glamour de qualquer noite!

09
Mai
09

Será?

Será que é o fim?

o_O

05
Mai
09

Ei, você!

Falta inspiração. É isso.

Talvez amanhã… talvez no próximo mês.