
Marcos Valle tem 65 de praia. De longas madeixas parafinadas, saradão, parece um irmão do Oskar Metsavaht, inclusive na forma de se portar e de fazer arte. Segundo Carlos Lyra, ninguém segurava o cara em Ipanema nos idos de 60 e 70. O mulherio ficava indócil mesmo.
Era a mascote do bonde da bossa nova. Compôs “Samba de verão” aos 21, e depois disso várias parcerias de sucesso com o irmão Paulo César.
Junto com Jobim, foi dar a cara à tapa lá em NY a fim de apresentar aos gringos a nossa bossa. Conseguiu e abriu as portas do mundo para a boa música brasileira. Além de ganhar lá o sotaque soul em suas novas composições.
Quando eu tinha 8 anos, vibrei quando assisti no fantástico a música “Estrelar”. Foi quando o Brasil percebeu que Marcos, já era a muito tempo um pop soul bossa man. Além de grande amante dos esportes e da vida saudável. Outra música dele que me encantava nessa época foi “Um novo tempo”. Quem não se lembra de todos os artistas da globo cantando de mãos dadas no fim do ano?
Até hoje ele inova. Em 2005 lançou “Jet Samba”. Que foi a consagração do Drum’n Bossa. Não sei se ele gostaria que se chamasse assim. Pelo menos o Benjor nunca gostou do termo Samba-Rock. Jet-samba, pra quem curte música instrumental, é uma jóia.
Mas estou aqui pra falar do Conecta. Album(DVD) lançado neste ano. Com vários convidados, entre eles, Marcelo Camelo, que é bem Marcos Valle, e Fino Coletivo. Destaque para as músicas“Nem paletó nem gravata” e “Boa hora”. Gravado no cinemateque, O DVD é a coisa mais simples que existe. Marcos Valle não precisa de mega-produções e nem de lotar o maracanã. Sua música é boa por si só. Em qualquer parte do mundo.