Arquivo para a categoria 'Aqui nesta mesa de bar...'

16
Set
09

anacrônica ansiedade

Esfregava as mãos vigorosamente sobre a calça jeans numa tentativa inútil de amenizar o frio úmido daquela varanda do bar. Falava elétrica, mulher de  idéias. Segurava o cigarro do maço que seria abandonado quase cheio sobre a mesa no final da noite, mas a cerveja era bebida lentamente. Fazia de tudo para esconder o nervosismo do tempo que se esgotava desde que recebeu uma ligação do banco de sêmen. Dois dias era o que tinha para decidir engravidar, manter congelado o sêmen do marido morto por mais um ano, ou descartá-lo.

Não fumava mas não se importava com o cigarro da amiga. Gostava mesmo era do chopp dose dupla das terças feiras. O cachorro enroscava-se aos seus pés, entediado com o programa noturno. Era a mais alegre dali, piadista, irônica. Naquela noite, era disfarce. O bichinho olhando para ela com as pálpebras caídas a fazia lembrar que dali a dois dias  encontraria o ex marido, que viria buscá-lo.

Nem gostava tanto assim de beber. Preferia a convivência, as luzes da noite. Ora falava muito, ora nada falava. Olhava para as unhas, curtas maltratadas e sentia-se satisfeita por ter passado uma semana tão ocupada. Em cabeça ocupada não há espaço para idéias más. Só que seu coração batia acelerado, desta vez de tristeza. Eram apenas dois dias e iria encontrá-lo. Dizer que sabia a verdade? Não sabia o que fazer.

Voz baixa, mãos grandes. Um chá gelado, por favor. Era a mais nova da mesa. Ainda pensava se valeria a pena lutar pela renovação de seu contrato ou não: era o preço por uma experiência, mas não lhe enchia os olhos. Queria ir além. Mal sabia que dois dias depois uma vida estaria dentro dela e a sua própria nunca mais seria a mesma.

Para ela, nada gelado. Nada com álcool. O pastel daqui é bom? Sentia muito frio. Se vestia com o bom e o melhor, sempre o mesmo perfume, o cabelo curto era moderno. Tinha um bom emprego e no geral estava feliz. Bem, isso se não fosse o senhorio pedir-lhe o apartamento que acabara de reformar. Faltavam dois dias para sair e ainda não tinha arranjado outro.

Bebia como toda mulher do interior de Minas. Mas só bebia quando o marido vinha buscá-la, pois tinha total e completo senso de responsabilidade em relação a beber e dirigir. Era uma noite dessas. Sempre deslumbrante em sua beleza singela. Mas encimando o sorriso, um olhar quase desesperado. Em dois dias iria rever a família, e junto, as cobranças por um casamento de 12 anos sem filhos.

Era atenta e mal mostrava os dentes. Porém simpática. Rápida, limpa, inteligente. Com alguns até desenvolvia uma conversa mais amigável. Naquele dia pôde parar e observar aquela mesa de mulheres falando alto, muito alto, rindo. Alguma confraternização? Não se deu ao luxo de especular mais. O cliente da mesa ao lado já a chamava. Dispensou-lhe a atenção de sempre. Dois dias e pediria demissão pois, finalmente, conseguira montar o seu salão de beleza.

29
Ago
09

o nosso mundo particular

Alguns anos atrás, Maria, posso ir pra sua casa? Pode. Posso fazer churrasco? Pode. Vou levar trance pra você ouvir. OK. Você gosta de trance? Não sei. Posso lavar o carro aí? Pode. Precisa levar mais alguma coisa? Coca cola.

Chegou, arrumou o som, a churrasqueira, a carne. Eu ainda terminava um trabalho dentro de casa, olhei pela janela e o vi ali, menino, as sardas nos ombros, o lagarto, o cabelo loiro de sol queimado, feliz como há muito tempo não o via. Vem pro sol, deixa isso praí. Fui, afundei na piscina até o meio do lábio e continuei olhando pra ele.

Eu amo esse lugar. Eu sei. Obrigado por me deixar vir. De nada. Você sabe… Eu sei…

Alguns anos depois, quase dois meses depois de ter recebido o convite, eu finalmente fui conhecer seu lounge. Fui muito bem recebida por ele e por sua mulher, impecáveis no comando do negócio que assumiram. Noite agradável, vai, vem, pessoas, histórias e finalmente ela e e eu nos encontramos sozinhas por um minuto.

Ele fala muito de você. Ah é? Fala sim, que vocês são amigos de infância. Eu tinha curiosidade para te conhecer, porque ele tem muitas amigas, mas de você ele fala diferente. É porque somos amigos de infância.

Não sei dizer se o que ouvi na sua voz foram ciúmes. Talvez não. Talvez só aquele ciúme da melhor definição de ciúme que já ouvi em toda a minha vida: ciúme é um quarto fechado em que você está do lado de fora. Não importava.

O comentário dela me deu mais certeza de que eu e ele temos mesmo o nosso quarto fechado, com todas as alegrias, histórias, músicas, tristezas, angústias, sabores, erros e acertos, compreendidos num cruzar de olhares. E este quarto fechado tem na porta uma plaquinha: Jardim Cícero Prado.

Outros fragmentos desta história aqui e aqui.

13
Ago
09

Anamnese e picanha na pedra

Médica nova. Primeira impressão péssima. Não gostei da mulher, tanto que levei os exames que ela pediu para outra ver. No meio da anamnese, a pergunta:

- Fuma?

-Não.

- Já fumou?

- Já. Uns 10 anos.

- Há quanto tempo parou?

- Três anos.

- Fumava muito?

- Socialmente, só quando saía.

- Não entendo como vocês (?) fumam – com ar de reprovação.

Não me segurei. Vindo de uma médica, achei esse tipo de pergunta idiota. O vá tomar na tarraqueta quase se jogou da minha boca. Eu, que já estava quase levantando por conta da antipatia automática e indo embora, me contive, respirei fundo, olhei em seus olhos e respondi:

- Fumam porque são viciadas. Eu era viciada em cigarro, ainda que apenas das 18 horas de sexta às 18 de domingo. Cigarro fede, tem cheiro e gosto ruim, é socialmente reprovado, faz mal para a saúde, envelhece e ainda afasta os homens. Se não fosse quimicamente viciante, eu não teria fumado tanto tempo.

Prontamente ela perguntou, afobada, mudando de assunto:

- Já passou por alguma cirurgia?

O ‘causo’ veio a calhar com esta onda de proibição de fumo em local fechado, e dá o gancho para emitir minha reles opinião sobre o assunto – acho exagero. Acho sim que deveria ser proibido em todos os locais públicos, até na rua. E que nos privados ficasse a cargo do dono do local. Por outro lado, eu entendo que a intolerância a um cheiro impregnante é capaz de surtir efeitos legislativos de eficiência duvidosa. Eu por exemplo, ODEIO a tal picanha na pedra mais do que qualquer cigarro, e evito mesmo locais onde este é o carro chefe do cardápio. Gostaria, de verdade, que picanha na pedra fosse servida apenas em locais abertos e sem toldo.

PS pros senhores médicos que porventura visitem esta casa humilde – as opções dos seus pacientes, sejam quais forem, não é problema de vocês. Não é problema de vocês se eu como açúcar, se eu fumo, se eu gosto da gordura da picanha, se eu beijo o cachorro, se eu não lavo as mãos toda hora para evitar a gripe A, B ou C. Portanto, aconselhem, recomendem, auxiliem, ofereçam ajuda, mas, por favor, não julguem. É feio, muito feio.

24
Mai
09

Você mentiu pra mim!

Episódio 1 – um show num bar.

- Que coinciência nos encontrarmos novamente, não é?

- Hein?

- Nos vimos ontem, hoje de novo…

- Hã? Não estou ouvindo.

- Pena que hoje eu estou acompanhado, senão ficaria aqui dançando com você.

- … (ela aponta para a orelha e gesticula para ele entender que era impossível escutá-lo).

Episódio 2 – mesmo bar, outro show.

- Hoje eu não estou acompanhado.

- … (ela olha para ele com uma cara de “e eu com isso?”)

- Mas ouvi dizer que você está…

- … (ela espreme os lábios como quem diz “fazer o que?”)

- Acontece. Dias melhores virão.

(ela respira fundo e segura o riso)

Mais tarde, ela dançando com os amigos na frente do palco, ele passa e diz:

- Você mentiu para mim!

.

Moral da história: pena da falta de autocensura alheia.

14
Mai
09

Uma imagem é uma imagem é uma imagem

Ao responder aos comentários sobre o poste aí de baixo, Coffee shop, o meu tomou vida própria e agora está aqui, onde poderei falar mais e mais e mais.

Uma imagem é apenas uma imagem. É?

A história da foto: temos R., amiga irreverente, pessoa extraordinária, fumante incorrigível. Tanto que seu médico resolveu que seria melhor convencê-la a fumar os cigarros de palha do que abandonar os comuns. Conseguiu. Os de palha enquanto fumados precisam ser reacendidos a todo momento e, com isso, a pessoa se distrai com o cigarro apagado entre os dedos e fuma menos. Antes era quase um maço a cada saída. Hoje, uns três cigarros. R. hoje mora na serra, mas é nascida e criada no posto 9 em Ipanema. Sabem o que é o posto 9, certo? Pra quem não sabe, é lá onde rola a famosa “marcha da maconha”, onde o povo apita pra avisar que a polícia está chegando. Na mesma Ipanema, R. passou a vida numa rede de volei (até hoje não entendo como ela fuma tanto). Juntando a história de R., um cigarro que é enroladinho artesanalmente, uma turma de gente comédia de  e um fotógrafo abusado, o que saiu foi foto de um monte de gente fingindo estar puxando unzinho. E não foi fácil. Só minhas o Bruno W. bateu umas 5 até conseguir a “realidade coffeeshopeana” que esperávamos.

O destino da foto: e finalmente Bruno W. apareceu com as fotos deste dia. Devidamente captadas, vi que o orkut não seria o melhor destino para esta que veio parar aqui no blog porque, como dizia Tiopaulão, gente descalça na área. Então trouxe a foto pra cá, já sabendo que ia provocar alguma reação, mas sendo, a priori, apenas uma foto.

O mais curioso é que para mim esta imagem é apenas uma imagem e, provavelmente, pra muita gente que passou por aqui não é.

E para que fique sepultada qualquer dúvida a respeito do que ingere ou não esta criatura que vos fala, digo a vocês que meu nível de caretice é bem alto, diferente do que no post pode parecer (e por isto mesmo foi postado na categoria Realidade Virtual). Não vou dizer o que faço ou o que não faço, que não é da conta de ninguém, mas só a título de parâmetro, sinto muita culpa quando como qualquer coisa que leve glutamato monossódico e nicotina foi a pior droga que já usei e da qual, por um milagre talvez, me afastei. Com ela tenho que manter sempre os dois olhos bem abertos.

Tenho minhas opiniões a respeito do “legalize qualquer merda”, mas aprendi que não vale a pena expô-las. Sabe por que? Eu levava pedrada de todo lado sem nem ter interesse na causa. Então hoje me reservo no direito de não dar opinião. Consequentemente, a foto não representa nenhuma bandeira.

Concluindo: não, uma imagem jamais será apenas uma imagem.

E agora, em resposta aos comentários:

Mirian, eu também acho.

Altamir, imagino o tanto de interpretação que passou por esta cabeça!

Louise, vc acha mesmo que se eu tivesse ido a Amsterdam eu teria colocado uma foto aqui fumando maconha num coffee shop?

Renata, eu também. Por isso ela veio parar aqui.

Gustavão, como o Sr. já soube de antemão, ainda bem que não gostou. Sua opinião por aqui é deveras importante.

12
Mai
09

Coffee shop

cervejota 05

Amsterdam, abril/2009.

By Bruno W.

10
Mai
09

Groupie

Foi lá pelos idos de 93, 94, que ganhamos as madrugadas sem lei. A noite de Itaipava era de uma precariedade charmosa ao extremo, e combinava bem com o visual grunge que a galera adotava na época, assim como com a pouca verba adolescente. Era destino certo das noites de sábado na época em que aqui fazia muito mais frio do que faz. O principal ponto da galera era bar/restaurante de crepes (que existe até hoje – completamente reconfigurado e, como diz uma das donas, evoluído) que na parte de trás tinha um palco improvisado onde os melhores músicos da cidade se fizeram conhecidos e amados por todos. Era o palco, o frio e a fogueira, onde vários tocadores assíduos de viola também se fizeram amados e conhecidos, que levavam a noite até as 5 da manhã. E tome camel (cachaça com mel, vendida, na época, à equivalência de R$ 1,00) para esquentar as gargantas.

E assim foi que o blues impregnou a existência dos que viveram aquelas noites, junto com outros sons, The Doors, Janis Joplin, Led Zeppelin, Pink Floyd e, é claro, afinal, era a época deles, Nirvana e Pearl Jam. Depois todo mundo ia junto para o ponto de ônibus mais próximo esperar pelo corujão, que naquela época não tinha perigo (e eu continuo achando que até hoje não tem tanto assim… mas os adolescentes foram banidos das madrugadas por algum juiz da infância mal humorado).

Uma das bandas desta época tornou-se a nossa favorita, não sei exatamente se pelo som que faziam ou se pela quantidade de shows, e por mais de um ano teve uma galera que conseguiu ir a todos os shows dos caras – e eu fazia parte desse grupo! Sabíamos o repertório de cor, valendo interpretar as backing vocals em Mustang Sally – ride, Sally, ride – e tendo certeza que nenhum show terminava sem tocar Wish You Were Here. Falo sem saudosismo porque vivi cada minuto daquelas madrugadas.

Para você que não viu The Commitments:

E ontem, caçando o que fazer na boa e velha Itaipava, show da banda no bar/restaurante evoluído! Boa supresa – faz um tempinho, esses músicos resolveram se reunir para alguns shows. Foi bom para recordar, embora eu sempre tenha uma certa nostalgia da precariedade da fogueira. Lugar cheio, som impecável. Só não fiquei para ver se tocou Wish You Were Here. Não sou mais uma adolescente, agora o restaurante tem comanda e a fila para pagar, quando o show termina, estraga o glamour de qualquer noite!

08
Mar
09

Mais uma história de amor

La Spezia, 1944. Ouviu que seu marido desertara na África, voltara à Itália e se encontrava num campo de prisioneiros próximo. Mas ele sabia que não ficaria muito tempo ali – os prisioneiros seriam levados para a Alemanha e o que se imagina é que o destino não seria dos mais generosos. Passou a visitá-lo toda semana, levava sempre um agrado, o que era possível naquela época difícil. Certa vez, um pedido: traga o menino, preciso vê-lo. Não sei por quanto tempo ainda fico aqui, nem o que será daqui para frente.

No dia em que ela levou o menino, ele já havia partido.

Enlouquecida, ela voltou à casa dos pais, deixou o menino e foi atrás dele. Como quase não havia dinheiro em circulação, seu pai lhe deu um brilhante para que fizesse uso quando precisasse. Partiu então, a pé, em direção ao norte, parando aqui e ali, perguntando sobre o grupo de prisioneiros, os pés em carne viva, passando por todos os perigos que uma mulher sozinha em tempos de guerra pode passar, até chegar numa barreira alemã, onde um oficial a interrogou: para onde vais? Estou a procura do meu marido, respondeu. E o oficial, debochando, disse: essas putas italianas sempre atrás dos seus homens. Aquilo a machucara muito mais do que os dias e dias que vagava a pé rumo ao norte da Itália. Não teve outra reação na hora senão a de voar com os dentes no pescoço do oficial alemão. Foi preciso a força de dois homens para apartá-los e, após uma pancada que abriu-lhe o supercílio, desfaleceu. Naquele momento, foi presa num campo para mulheres.

Mas havia por ali, juntamente com os oficiais alemães, alguns oficiais italianos. Um deles, certo dia, perguntou-lhe o nome. Ela respondeu-lhe sobrenome e nome, e ele ficou surpreso de saber que estava diante da filha de um cantor lírico que admirava. Coisa de italianos. O oficial então deu um jeito de tirá-la dali, e ela regressou.

Rumo à Austria, o trem que transportava os prisioneiros, dentre eles seu marido, fora atingido por um bombardeio, ainda na Itália , e ele um dos únicos que conseguira sair com vida. Fugiu para uma fazenda, conseguiu algumas roupas e partiu, entre caminhadas, caronas e trens, de volta para casa.

De volta a casa, ela foi advertida pelo pai a sair de La Spezia com o filho, pois a cidade era frequentemente bombardeada. Foi viver então no litoral, uma cidadezinha minúscula, chamada Monterosso al Mare, com seu filho e seu cão, Ruffo. E o esperava todos os dias, que em épocas de guerra, só o que resta é esperança.

Uns dias depois, enquanto lavava roupas num local púbico, Ruffo a encarava, resmungando. O barulho de um apito de trem ao longe, e Ruffo latindo cada vez mais alto, a fez virar o rosto para o trem que chegava. Ao ver que seu marido estava a bordo, segurou as saias e correu rumo à estação para encontrá-lo, num misto de paixão e desespero.

Quem me contou a história me disse que ela chegou antes do trem!

Tanto já ouvi falar dela, mas esta história, talvez a mais bela de todas, só fui saber na última semana. Entre tulipas de chopp e muito calor, o assunto era o amor, a entrega, o desapego. Na verdade, falávamos de como nos acomodamos na nossa vida fácil de internet, ar condicionado, seriados americanos, fim de semana na serra e férias na praia, e achamos que o amor é algo que milagrosamente vai chegar e se encaixar à rotina pré-existente. Tudo errado. O amor não se encaixa. Ele ocupa o lugar maior e o resto é que se adapta.

- Você faria o mesmo, Maria, ele me disse, tenho certeza.

- É que para enxergar o que interessa, temos que nos livrar do inútil, eu respondi, e disso, todo mundo tem medo.

Ela ainda é viva, aos seus 90 anos, lá na Itália, e eu só a conheço por fotos e histórias. Não sei se terei a oportunidade de conhecê-la pessoalmente um dia. Quem sabe? Mas neste dia 08 de março que tanto questiono, quis contar esse pedacinho de história real para vocês, ainda que tão resumidamente, ainda que sem a dramatização merecida, pois o amor desta mulher pelo seu marido me tocou.

A “ELLA”, meu carinho e minha admiração.

04
Mar
09

Novas regras ortográficas

O PRESENTE TEXTO É CRÍTICO E NÃO TEM A INTENÇÃO DE TRAZER AS REGRAS ORTOGRÁFICAS. HÁ SITES ONDE AS DÚVIDAS PODEM SER ESCLARECIDAS. (a autora, em 27/08/2009)

Pura filosofia cretina.

Hoje acordei com este pensamento: se você é professor de português e está preocupado com o novo acordo ortográfico, converse com um professor de direito constitucional (57 emendas em 20 anos, fora as de revisão), um juiz ou um advogado tributarista. Verá que seu problema não é dos maiores. Até porque ex marido, ex-marido ou exmarido, é tudo a mesma merda.

Concorda, Louise?

16
Dez
08

Deixa eu te contar uma coisa…

Emprestei o livro que vc me deu para uma orientanda da minha mãe fazer a monografia dela. Quando minha mãe veio me pedir, já o fez esperando um não… mas, como eu não sou babaca, sei como certas coisas são difíceis, e não canso de tentar arrancar da minha mãe admiração por qualquer gesto, por mais falsamente generoso que seja, emprestei. Com a advertência de que eu arrebentaria a cara dela (da aluna) se ela sumisse com o livro. O recado era: “preze-o como preza o seu próprio nariz. Ele será o preço.” Afinal, não bastaria ela comprar outro para pôr no lugar daquele. Meu livro é meu livro que um dia foi seu livro, folheado por você e por mim, com dedicatória e tudo. Alguns meses se passaram e nada do livro. Quinta passada cheguei em casa e o bonito estava lá, junto com um pequeno presente de “agradecimento”. Ela devolveu! Ela devolveu!

À noite, antes de dormir, uma folheada rápida como quem não quer nada, e caí nas armadilhas dos sentimentos alheios que tenho evitado ultimamente (conversa para muitas horas, você deve imaginar, que nada meu é assim tão simples). A angústia bateu fundo no peito e as lágrimas não sossegaram. Aí aquela dor que dói e a gente quer que doa mais, sabe? Aquela coisa meio masoquista… então, viro algumas páginas, encontro aquele poema que postei para você aqui no blog, e o leio ainda com o rosto molhado. Em seguida, o poema da próxima página, que encosta na outra quando a gente fecha o livro. Nele, também, “aquela” palavra, nossa proparoxítona preferida. Duas ocorrências seguidas!! Caí na risada. Perdi completamente minha credibilidade de mulher entregue. Quem vai querer uma mulher assim?