“Abre bem. Isso. Pode ficar tranquila. Pronto, acabou”.
Ele desligou a luz azul e se aproximou com um frasco e um pedaço de algodão. “Feche os olhos que eu vou limpar seu rosto.” Ele começou a passar o algodão molhado lentamente por suas pálpebras, suas têmporas, removendo resquícios do colírio de contraste. Ela sentia sua respiração bem próxima ao seu rosto, e aquelas mãos tão grandes e tão leves e com um cheiro tão bom, e a penumbra do consultório…
“Pronto. Agora está tudo bem, mas espere mais uns dois dias para voltar a usar a lente de contato. Qualquer problema você sabe que é só ligar.”
Ela saiu do consultório atordoada, tonta, excitada, nada disso… impossível descrever. A rua das seis da tarde era uma miscelânea de imagens turvas. Parou. Respirou fundo. Fechou os olhos. Ah, o cheiro daquelas mãos…