Médica nova. Primeira impressão péssima. Não gostei da mulher, tanto que levei os exames que ela pediu para outra ver. No meio da anamnese, a pergunta:
- Fuma?
-Não.
- Já fumou?
- Já. Uns 10 anos.
- Há quanto tempo parou?
- Três anos.
- Fumava muito?
- Socialmente, só quando saía.
- Não entendo como vocês (?) fumam – com ar de reprovação.
Não me segurei. Vindo de uma médica, achei esse tipo de pergunta idiota. O vá tomar na tarraqueta quase se jogou da minha boca. Eu, que já estava quase levantando por conta da antipatia automática e indo embora, me contive, respirei fundo, olhei em seus olhos e respondi:
- Fumam porque são viciadas. Eu era viciada em cigarro, ainda que apenas das 18 horas de sexta às 18 de domingo. Cigarro fede, tem cheiro e gosto ruim, é socialmente reprovado, faz mal para a saúde, envelhece e ainda afasta os homens. Se não fosse quimicamente viciante, eu não teria fumado tanto tempo.
Prontamente ela perguntou, afobada, mudando de assunto:
- Já passou por alguma cirurgia?
O ‘causo’ veio a calhar com esta onda de proibição de fumo em local fechado, e dá o gancho para emitir minha reles opinião sobre o assunto – acho exagero. Acho sim que deveria ser proibido em todos os locais públicos, até na rua. E que nos privados ficasse a cargo do dono do local. Por outro lado, eu entendo que a intolerância a um cheiro impregnante é capaz de surtir efeitos legislativos de eficiência duvidosa. Eu por exemplo, ODEIO a tal picanha na pedra mais do que qualquer cigarro, e evito mesmo locais onde este é o carro chefe do cardápio. Gostaria, de verdade, que picanha na pedra fosse servida apenas em locais abertos e sem toldo.
PS pros senhores médicos que porventura visitem esta casa humilde – as opções dos seus pacientes, sejam quais forem, não é problema de vocês. Não é problema de vocês se eu como açúcar, se eu fumo, se eu gosto da gordura da picanha, se eu beijo o cachorro, se eu não lavo as mãos toda hora para evitar a gripe A, B ou C. Portanto, aconselhem, recomendem, auxiliem, ofereçam ajuda, mas, por favor, não julguem. É feio, muito feio.





