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24
Nov
08

saldo positivo

Tenho que começar a crer mais nestas coisas de marketing pessoal e tals… foi só eu escrever um ‘poste’ dizendo que eu não tinha muita coisa interessante pra dizer que as estatísticas baixaram consideravelmente. Outra coisa que me fez pensar no assunto foi ler lá numa das paredes da esplanada que temos um Ministério do Desenvolvimento e do Combate à Fome. Achei meio negativo. Precisar de um Ministério para combater a fome é assumir uma incompetência tamanha, do governo e do povo. Enfim…

O saldo do fim de semana foi muuuuito positivo. Alguns pontos fortes:

1) Ver Brasília verde (pq só me lembrava dela em épocas de seca). Estava tudo lindo.

2) Olhos extremamente atentos a mim no congresso na hora da minha apresentação. E, sem modéstia, mandei MUITO bem.

3) Encontrar com um dos professores mais queridos da minha vida, pessoa linda e cheia dE sotaquE, que não via há um tempinho, ser reconhecida (professores nem sempre se lembram dos alunos), ganhar um beijo e um abraço.

4) Ser muito bem recebida em duas casas, da minha família de sangue e de uma família do coração. Se sentir querido NUNCA é demais (bom pra lembrar de sempre retribuir este carinho a todas as pessoas).

5) Fazer turismo na chuva, rindo da própria desgraça (!), tirando mil fotos, pagando mil micos (não os micos normais de turistas, mas outros, que a gente sempre inventa).brasilia-2111-091

6) Me emocionar mais com tudo do Niemeyer que eu já conhecia e que eu ainda não conhecia (bom pra lembrar sempre que, como ele diz, “é tudo muito simples”).

7) Comida mexicana, comida nordestina, “sertanejo universitário” (é… ponto forte apenas no sentido de experiência antropológica), pub com cervejas e rock’n'roll ao vivo, pão de queijo (mesmo, feitos pra mim) e, é claro, cosmopolitans.

8.) Duas mensagens que chegaram ao meu celular, assim, do nada. Tá bom, essa não tem nada a ver com Brasília, mas eu estava lá, desligada da minha rotina, e… então… é sempre bom, muito bom.

06
Ago
08

Sobremesa

No meu primeiro blog, hoje abandonado, um dos primeiros ‘postes’ que escrevi foi sobre dividir a sobremesa, em que conto a delícia que acho que é dividir uma sobremesa, além da história de dois homens que, eventualmente, dividiam a sobremesa que se permitiam comer nas sextas-feiras.

E na última semana lembrei-me do escrito em duas ocasiões: na terça-feira passada, quando fui comer nhoque com a família miojo e acabei por dividir a sobremesa com M., e no relembrar de uma outra história que vou contar aqui.

Era uma tarde de verão, daquelas quentes em que o sol tem preguiça de ir embora, e do nada apareceu a prima querida de uma amiga querida, que resolveu subir a serra para dar um alô. Dobrados de fome, agravada pelo sol e pela cerveja, ‘resolvemos’ – uma turma de umas oito pessoas, voto vencido: o meu – almoçar num restaurante de paellas, uma certa estravagância, não exatamente em homenagem à prima, que mal comeu, mas ao clima de alegria que se instalou naquela tarde após sua chegada.

O lugar tem uma cara bem mediterrânea, fica numa colina, e o sol nos fez companhia ainda por um bom tempo. Apesar do clima alegre, excelentes companhias, flertes, ciúmes, sangria espanhola rolando solta, frivolidades, e até um baile improvisado, eu sabia que ia ter que me garantir na sobremesa: as paellas envolviam, é claro, camarões, mariscos, lulas, e tudo mais que vem do mar e eu não como, e os outros pratos eram coelho, cordeiro, e outras esquisitices para as quais torci o nariz.

Ao percorrer o cardápio com os olhos, rezava por um prato de massa enumerado naquela parte ‘pratos infantis’, mas não encontrei. Aquele não era definitivamente um restaurante para crianças. Percebendo minha má vontade que se encaminhava para uma desistência ou uma salada simples, um membro do G-8 pede ao dono do restaurante, que a esta altura já estava sentado em nossa mesa: “faz um bife com ovo para a Maria?”. Que vergonha! Preferia não ter pedido nada a alguém ter dito isso por mim num restaurante de paellas! O dono, pessoa especialíssima, foi demasiadamente gentil e ainda brincou comigo, para diminuir meu constrangimento. Disse afinal que faria o filé. Dispensei o ovo, ele ofereceu fritas. Segue a tarde, segue a sangria, segue o baile.

Sobremesa. Ufa! Finalmente algo espanhol! Uns pediram sorvete, outros, dispensaram, pediram café. “Maria, e você?” Me traga uma ‘crema a catalana’. “E você delator, deseja alguma coisa?” Não, não, só um café. Eu dou um ‘tapa’ na ‘catalana’ da Maria.

20
Mai
08

Minhas cozinhas

Cozinhar é muito bom. Pra mim é um prazer. Logo eu, que não como muita coisa, mas que aprendi a gostar de muitas outras quando descobri que era o preparo e não o gosto em si que me afastava de certas comidas.

Para cozinhar você tem que ser, em primeiro lugar, destemido, além de ter confiança no que dizem aqueles que vivem da cozinha. Acreditar que o “al dente” faz diferença, o ingrediente mais caro faz diferença, que azeite não é tudo a mesma coisa, que o alho socado é diferente do espremido, do picado e do fatiado, e por aí vai…

Mas se você cozinha na sua casa, por puro prazer, e oferece aquilo que faz pra quem está acostumado com macarronada da avó, arroz de forno da mãe, e feijoada da tia, pode ter certeza que haverá narizes torcidos diante dos seus legumes assados com molho de iogurte. Ok. Isso passa. Mas ou você encontra seus iguais para partilhar da experiência, ou vai cozinhar só pra você mesmo. E vou dizer: cozinhar pra um só é difícil, muito difícil, ainda mais se você é como eu e se preocupa com o desperdício. Verduras em geral acabam ficando de fora. Imagina… um repolho dura um mês!

Outro problema pra quem curte cozinhar são os ingredientes. Isso é moleza pra quem mora no Rio ou em São Paulo. Hoje eu moro numa cidade bem maior que a que eu morava no Estado do Rio mas é uma dificuldade, acreditem, achar abobrinha, pepino japonês, alface americana, manjericão fresco, alecrim. Sálvia, neeeem pensar… e eu que comia isso tudo toda semana, era feliz e não sabia! Logo agora que posso fazer tudo ao meu jeito… pelo menos tem limão, porque também, se não tivesse, eu me mandava daqui e não voltava nunca mais!

E é assim… nada é perfeito. Agora que tenho uma cozinha pra mandar, não consigo mandar bem devido a esse monte de contingências. Mas não é motivo pra desistir, e sim, pra colocar a imaginação pra funcionar. E deixar as receitas maiores pros amigos cobaias!

17
Fev
08

Anis

Amo! Mas quase mais nada de anis se acha no mercado. Há uns 4 anos atrás ainda localizei uma bala Kids num camelô da Almirante Barroso, mas a Kids tinha metido uma merda de uma essência de eucalípto e transformado minha bala favorita num Halls de anis. Horrível.

Outro dia comprei estrelas de anis, que nunca tinha usado. Então hoje, como estava sozinha com meu avô na hora do almoço, fiz uma graça pro velho: um doce de pêra com calda de anis. Não imaginei que 2 estrelinhas fossem fazer tanto efeito numa calda.

Preparei a calda com 1 xícara de açúcar e meia de água, mais ou menos, e coloquei pra ferver as estrelinhas. Quando a calda estava no ponto que achei legal, coloquei 4 metades de pêras para cozinhar nela. O bom é que os gostos ficam bem separados: o anis não impregna a pêra, nem a pera deixa gosto na calda.

Depois misturei 1 xícara (de café) de creme de leite com chocolate em pó até ficar com cor de brigadeiro. E na hora de servir coloquei uma bolinha (do tamanho de um brigadeiro), no meio de cada metade de pêra, pra dar uma graça.

Ficou uma delícia!

19
Jan
08

Chefs, curiosos e minhas panelas

A gastronomia, de repente, passou a ser pop. Creio que a popularização desta arte teve ajuda da internet e de chefs que foram para a TV fazendo parecer tudo muito fácil, como o Jamie Oliver. E pipocaram cursos de gastronomia por aí… todo mundo quer atacar de Jamie e pensa que virar chef é uma coisa muito simples. O que não é. Pra ser chef é preciso começar cedo, no auxílio da cozinha, além de ter talento, criatividade, muito estudo, muita cultura. Tem que ser metódico, obstinado, organizado e concentrado. E tem que saber mandar, afinal, a palavra chef não é por acaso.

Mas o máximo que a maioria que pensa que é chef consegue é executar um bom livro de receitas. Que é o que eu faço… mas sem ter passado por nenhum curso de gastronomia. Meu aprendizado se deu na barra do avental da mãe e na Ana Maria Braga, quando ela apresentava o Note e Anote na TV Record. E às vezes me perguntam se eu não gostaria de ser chef. Eu dou risada, né? Não sou metódica, não sou organizada, minha criatividade está em outro lugar e não saberia mandar numa equipe com facas na mão! Mas sei executar um bom livro de receitas, e coisas do tipo, “farinha que amasse”, o que deixa muita gente cheia de interrogações na cabeça. Admiro minha vizinha que é libanesa e faz aquela comidaria toda de cabeça, e fica sempre com o mesmo gosto… divino! Pedir receita pra ela é inútil. Se quiser aprender, só indo pra cozinha com ela.

Mas cozinhar é muito simples. Assim como Niemeyer diz que concreto armado é muito simples. Basta que a atividade pertença a sua cabeça e ao seu coração. Se você gosta de cozinhar não busque ser chef. Busque fazer algo gostoso, que agrade o paladar, que deixe feliz as pessoas à sua volta. Não invente muito. O prato preferido da maioria das pessoas é algo feito pela mãe e não pelo Adriá. Aliás, essa é uma das grandes lições dos italianos: absolutamente nada do que você fizer será melhor do que o que a mãe deles faz. Isso baixa a bola de qualquer um.

E por falar em italianos, bate no meu peito uma saudade de ravioli di zucca. Zucca é abóbora. E esse ravióli não leva molho… é passado numa manteiga aromatizada com sálvia. Simplesmente perfeito para um domingo. Então amanhã… quem sabe???

14
Jan
08

Eles e eu…

Sábado eu encarei um camarão. Vou ser bem explícita: UM CAMARÃO. Unzinho só. Empanado à moda tempurá (Eu juro que se soubesse que na porção viriam dois camarões eu mandaria trocar por acelga). Mas insistiram tanto que eu comi o bichinho. Assim… não morri por isso, nem tive nenhuma reação vergonhosa.

 

A tal da lula à moda espetinho de japonês eu até já me atrevi a pedir (olha que coragem!). Isso porque, quando eu experimentei, achei que o gosto que predominava ali era do molho, que é igual pra tudo e deixa tudo com o mesmo gosto, e achei divertido mastigar aquela borrachinha. Mas quando o gosto “marítimo” está muito forte eu passo o espetinho a diante.

 

A conclusão dessas ousadias é que coisas que vêm do mar continuam não sendo a minha praia. E olha… não gostar de peixes e afins é um verdadeiro sofrimento!

 

Por mais democrática que seja a sua turma, se a galera vai almoçar na praia, quando você pede um filé com fritas, ou uma salada com frango, todos, sem exceção, lançam sobre você um olhar de reprovação que dá vontade de virar siri e se enterrar na areia. Uma vez quase apanhei num restaurantes de paellas. É muito triste pertencer ao time que acha que peixes, crustáceos e moluscos são amigos e não comida!

 

A bacalhoada em família então é o maior dos suplícios. Primeiro, quando do preparo do prato, eu caço o que fazer do lado de fora e deixo meu quarto trancado para que nem vestígio daquele cheiro tenebroso adentre ao meu recanto. À mesa, o truque de sentar-se bem longe da travessa. E por fim aturar, depois de 30 anos de todo mundo sabendo que você de-tes-ta a “iguaria”, o célebre “a Amélia não come, né?”. Hoje, esse ritual todo só se cumpre em datas onde não tem como você escapar do programa família. Em bacalhoadas ordinárias eu caio fora de casa e só volto depois da louça lavada.

 

E em almoços de cerimônia, do tipo, casa do chefe, casa da sogra, casa de semi-desconhecidos, não há outra alternativa: é alegar a alergia, se virar com a salada e se fartar na sobremesa! Todo mundo ainda fica com pena de você.

 

Na verdade verdadeira eu gostaria muito de gostar de peixe. Sério. Mas eu tento e não consigo. Se isso já é difícil para quem tem amigos que gostam, é mais difícil ainda para quem gosta de cozinhar… sempre acho que as receitas mais interessantes são as preparadas com peixes e seus amiguinhos do mar, aquelas coisas mediterrâneas lindas. Bacalhau no way, no chance. Mas as outras coisas não tenho problemas em relação ao manuseio e preparo. Só que cozinhar e não comer, não tem graça nenhuma, né?